quarta-feira, 7 de março de 2012

Ivy League Especial

Podem não acreditar, mas comecei a escrever esta crónica não tinham passado sequer 24 horas após a realização desta jornada da Ivy League. Uma avaria no computador acabou por repor os tempos habituais de reacção e desta vez com a agravante de ter também perdido as notas que cada seleccionador deu aos vinhos. Restaram as notas de um jogador, as do Orlando. As notas dos restantes convivas (5 no total) que fui recuperando valem o que valem, incluindo as minhas que estando quase certas poderão ter tido uma ou outra troca.

Os mais atentos e que são usualmente convidados para estas jornadas deverão estar a perguntar-se, mas quando é que ele enviou a convocatória? Não enviei. Essa é a resposta e o motivo é simples e quero expô-lo, pois estou convicto que o compreenderão e que fariam o mesmo se estivessem no meu lugar. A mini-vertical de Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa foi finalmente concertada e agendada. Assim sendo, para que ela se realizasse era preciso que os proprietários das ditas estivessem presentes e restariam poucos lugares para os remanescentes. Não me pareceu justo que esses lugares fossem preenchidos pelos que fossem mais rápidos a responder ao desafio, que se soubessem ao que vinham seriam rapidamente preenchidos e sim que fossem ocupados por aqueles que mais têm ajudado a que este projecto (e incluo neste projecto a própria sobrevivência do Quo Vadis?) vá sobrevivendo às sucessivas vagas de pessimismo que minam a nossa sociedade. Infelizmente nem todos os que mereciam ser convidados o puderam ser, pois apesar de ter sido quebrada a regra de ouro de só termos 8 participantes em cada jornada, ela não poderia ser quebrada de uma forma grosseira ou acabaríamos por não ter vinho suficiente para o podermos apreciar como ele merece. Felizmente alguns não puderam ou quiseram vir e ficámos assim 9 participantes, que é um número igualmente atractivo para estes encontros. Número esse que será no futuro várias vezes por motivos diversos e que serão expostos na devida ocasião.

Segue-se então a lista dos jogadores e respectivos seleccionadores:

Mailly L'Air Grand Cru Millésime 2005 – Luís Pereira

Bollinger Special Cuvée – Orlando Costa

Blin's Edition Limitée Brut Rosé – Jorge Silva

Dr. von Bassermann-Jordan Forster Jesuitengarten Riesling trocken 2005 – Jogador 1 do Alexandre Braga

Condessa de Santar 2010 – Isabel Braga

Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005 – Jogador 1 do André Antunes

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005 – Miguel Braga

Quinta do Crasto Vinha da Ponte 2007 – Jogador 2 do André Antunes

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2007 – Pedro Sousa

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2006 – Hildérico Coutinho

Domaine des Schistes La Cerisaie 2007 - Jogador 2 do Alexandre Braga

Uma vez que iriam estar presentes muitos tintos pedi aos restantes que trouxessem champanhe, vinhos brancos ou de sobremesa. Foi o que fizeram, mas apenas os brancos se mostraram à altura dos grandiosos tintos que estavam em prova.

Resolvemos servir os tintos em prova cega, mesmo sabendo que existiam dois intrusos à mini-vertical, mas felizmente ambos do mesmo produtor e igualmente bons, o Touriga Nacional de 2005 e o Vinha da Ponte de 2007. São sempre engraçadas estas provas, quanto mais não seja para demonstrar o que o Alexandre no final resumiu de uma forma notável: “Quanto mais bebemos menos sabemos…”. Se não é uma verdade absoluta, anda lá perto, mas que lida pelo ângulo certo nos traz a certeza de que felizmente muito temos de aprender e por isso muito teremos de ler e por incrível que pareça, melhor ainda, de beber…

A ideia inicial era a de termos só Teresas na mesa, no que a tintos diz respeito, mas a recusa por parte dos dirigentes da Quinta em nos ceder Teresas de outros anos além dos que tínhamos inviabilizou tal desiderato e tivemos assim de respeitar a génese portuguesa e improvisar…

Dos três champanhes o único que para mim mereceu alguma atenção foi o Bollinger (6º lugar) que se distinguiu e foi facilmente reconhecido pelas notas de fermento e amanteigados que apresentava, isto apesar de também os champanhes terem sido servidos em prova cega. Não vamos no entanto contabiliza-los nos acertos porque um era rosé e os outros acabaram por se mostrar demasiado fáceis. Uma nota ao rosé tem de ser dada, pois era tão fora do comum, tão fora, tão fora, que não valia nada (11º lugar e último). Fiquei admirado, pois acho que os brancos desta casa têm uma bela relação qualidade/preço. Este é para esquecer, não é assim Jorge?

Os brancos estavam ambos em bom nível, mas eram tão diferentes que dispensámos a prova cega. O Condessa de Santar, que não apresentei como branco porque seria quase como que um eufemismo, mostra claramente a qualidade a que os vinhos brancos do Dão podem aspirar. Elaborado com cerceal, encruzado e arinto, três castas que muito aprecio, a solo ou acompanhadas, com estágio em madeira de muito bom nível e com presença suficientemente audível mas sem ser barulhenta de mais, com uma mineralidade óbvia e agradável, fruta e flores presentes mas a necessitar de mais atenção para serem devidamente apreciadas. Ficou em 8º lugar, muito próximo do outro branco e do melhor dos champanhes e apenas porque os tintos eram de facto de primeira grandeza. Eu classifiquei-o em 7º lugar logo a seguir ao outro branco, um belíssimo Riesling de Pfalz que ficou classificado ex-aequo com o Bollinger. Já por cá passou a colheita de 2004 deste produtor e está bem mais duro e jovem que este 2005.

Um aparte por estar a escrever numa esplanada do cais de Gaia e estar atrás de mim um senhor dos seus 70 anos que insiste em dançar com a sua mulher uma valsa que ele vai cantarolando com alguma resistência por parte dela, mas que a mim me parece uma bonita imagem…

E vamos então aos tintos que motivaram esta Ivy League especial e que não desiludiram, porventura por terem sido bem tratados com decantações adequadas e temperaturas correctas de serviço. Não desiludiram mas surpreenderam em vários itens. Eu defino-me habitualmente como apreciador de Teresas quando comparados com os da Ponte, mas com a nota que lhe atribuí desta vez vou ter de provar mais Pontes para confirmar ou refutar o que esta prova insinuou (está alguém da Qta do Crasto a ler?). É que eu classifiquei o Ponte em 3º lugar e à frente de dois Teresas, incluindo o do mesmo ano, que é por sinal considerado pela casa como o melhor de todos. Este painel não concordou e deu o primeiro lugar, com pelo menos 4 dos 9 provadores a considerá-lo como o melhor, ao Maria Teresa de 2005. Eu pessoalmente gostei muito também do Touriga Nacional, que estava um autêntico doce líquido, mas que os restantes penalizaram e acabou por ficar em último lugar dos tintos. De notar no entanto que ninguém se atravessou dizendo sem margem para dúvidas que aquele era o Touriga, algo que seria até expectável. O Teresa 2005 soube-me como que um upgrade do TN 2005, pois apresentava o mesmo equilíbrio mas acrescentava complexidade, potência e profundidade. Formidável.

Apesar de ninguém o ter considerado como o melhor vinho da noite, o Ponte acabou por ficar com o segundo lugar por ninguém não ter gostado dele e ficou ou em 2º ou em 3º nas preferências de toda a gente.

O Maria Teresa 2007 foi considerado como o melhor pelo Pedro e pelo André, mas foi muito penalizado pelo 6º lugar geral que o Orlando lhe atribuiu.

O Orlando considerou como melhor o MT de 2006, exactamente aquele que eu considerei como o mais desequilibrado, com a acidez a tornar-se demasiado impositiva. Não deixa de ser estranho, pois eu tinha bebido este vinho há uns 3 meses atrás e tinha-o achado perfeito. O Miguel também gostou dele e deu-lhe o 2º lugar geral.

Para acabar esta crónica falemos do vinho doce que esteve em prova, usualmente considerados como os melhores, mas que este não conseguiu igualar. Trata-se de um vinho tinto doce de Roussillon, nos Pirenéus franceses, bem juntinho a Espanha e elaborado com a casta francesa que tão bem se adaptou a Espanha, a Garnacha ou Grenache Noir, nascida nos terrenos do Ródano. Este vinho tem no entanto 17% de álcool e é por isso bem diferente dos bons vinhos tintos doces que já bebi de Espanha e que esperava ver aqui mais ou menos replicado. Não é nada disso e infelizmente a evolução é negativa e o vinho é de facto bem mais desinteressante. Ficou em 9º lugar e arrisco mesmo a dizer que para fazer isto o melhor é deixarem-se disso e beberem LBV.

Estamos a minutos de começar a Ivy League XXIII e por isso tenho de acabar com isto. Beijinhos e até breve,

Hildérico Coutinho

Jantar de Homenagem à Mulher


Se há alguém a quem nós temos de dedicar a nossa mais sincera homenagem e os nossos maiores agradecimentos, esse alguém é sem sombra de dúvida a mulher. Mulher com H grande como alguém diria, pois sempre estamos habituados a falar dos grandes homens esquecendo as grandes mulheres que já existiram e que muitas vezes não podiam dar a cara e tinham de aparecer através de um homem menor. É bom não esquecer que na história da humanidade a mulher esteve quase sempre na sombra, proibida de dar o seu melhor e maior contributo. Isso só foi possível, por incrível que pareça, nas últimas meia dúzia de décadas se tanto e a qualquer coisa como 1/5 das mulheres. Incrível, mas é a verdade. Não vamos chorar ou esmorecer, vamos comemorar o que as mulheres ocidentais conseguiram e ter esperança de que o efeito de contágio de propague para todas as regiões onde as mulheres continuam a ser silenciadas.
Teremos por isso um menu pensada e dedicado a elas, sendo que também não queremos penalizar ninguém e haverão alternativas a quem não gostar ou for alérgico a qualquer das nossas propostas. A nossa humilde contribuição passa por dar um desconto de 50% a todas as mulheres que quiserem vir jantar este menu especial:

Almofadinha de queijo de cabra, frutos secos e mel com uma flute de espumante velho meio seco

Risotto de gambas com um copo de vinho verde branco

Tartelete de amêndoa com chocolate, morangos e amoras com um copo de Porto Late Bottled Vintage

Data: 8 de Março de 2012
Preço por pessoa: 25,00€
Mulheres de qualquer idade e condição: 12,50€

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ivy League - O Dia XXII - A Crónica

Jean Boillot & Fils Beaune Les Epenottes 1er Cru 2001 – Jorge Silva

Meruge Tinto 2004 – Pedro Sousa

E. Guigal Condrieu 2008 – Jogador 1 do Alexandre Braga

Fontanafredda Roero Arneis Pradalupo 2009 – Jogador 1 do Orlando Costa

VZ 2008 – Hildérico Coutinho

Bodegas Mauro Terreus 2006 – Isabel Braga

Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2006 – André Antunes

Gaja Promis 2005 – Jogador 2 do Orlando Costa

Ceretto Barolo Chinato – Jogador 2 do Alexandre Braga

Porto Vintage Graham's 2000 – Jogador 1 do Rui Freitas

Porto Vintage Graham's 1994 – Jogador 2 do Rui Freitas


Entrada

Magret de pato laminado com mozzarella de búfala e tomate marinado em cama de endívea

Prato de peixe

Calzone de bacalhau, salpicão, espinafres, azeitona e pimentos

Prato de carne

Bife do lombo com foie gras

Sobremesa

Chocolate surpresa

Desta vez o Rui não se pode queixar do nível dos acompanhantes dos seus jogadores e teria mesmo perdido o jogo não fora ter trazido um jogador extra de um ano que só vem confirmando o que digo há já uns anos, de 1994 ser o melhor ano dos últimos 30 anos no que aos Vintage diz respeito. De facto e apesar de 2000 ter sido um belíssimo ano para Vintage e do Graham’s se ter apresentado muito bem (3º lugar) graças também aos mimos bem dados pelo treinador, que os decantou como deve de ser, na temperatura e no tempo (Quem sabe, sabe! Não é Rui?) a verdade é que o nível que o 1994 apresentou é, a meu ver, inalcançável para o 2000. O 94 é um verdadeiro chocolate líquido e podem dizer-me que seria mais barato beber chocolate líquido e eu contraponho dizendo-vos que se os amantes de chocolate soubessem do nível a que poderia chegar o chocolate líquido iam a correr comprar estas garrafas todas… E eu até tenho uma no restaurante…

E dizia eu que não fora o 94 e quem teria ganho teria sido a Isabel, que apresentou um jogador pontuado com 98 pontos pela Wine Advocat do Robert Parker e mesmo com a recente polémica em torno do crítico desta revista que tinha a responsabilidade de provar os vinhos espanhóis a verdade é que só um vinho espanhol tinha até esta altura sido pontuado com mais, um Unico Reserva Especial do mítico Vega Sicilia que obteve 99 pontos. Foi, curiosamente, ou talvez não, nas Bodegas Veja Sicilia, que Mariano García trabalhou como enólogo durante trinta anos e de onde saiu em 1998 para criar uma série de vinhos famosos como é o caso dos Mauro, San Román ou Aalto. E se conhecem estes vinhos perceberão o que querem dizer quando dizem que este é provavelmente o vinho mais excelso deste enólogo. Foi um dos melhores, se não o melhor Tempranillo que bebi até hoje e apenas mantenho alguma dúvida em relação ao Alabaster 2007 da região de Toro. Este vinho apresentou-se com uma doçura incrível e incrível foi também não se ter tornado enjoativo, que seria o mais normal num vinho assim, mas a frescura que conseguia ter, mesmo sem se notar à primeira, fez toda a diferença. Só o Orlando é que não gostou deste vinho tendo-o votado em 8º lugar.

Em quarto lugar ficou o jogador 2 do Orlando, um Gaja catalogado como um super-tuscano, não por ser super caro, mas por ser elaborado com castas não autorizadas na região, neste caso Merlot (55%), Syrah (35%) e a local Sangiovese (10%). Eu também o classifiquei em 4º lugar apesar de não ser um fã da Merlot, mas este vinho tinha algo mais que o estilo pesadão e com pouca acidez que os caracteriza, seja pela frescura que a Sangiovese lhe terá emprestado seja pela complexidade aromática e estrutural da Syrah.

Em quinto lugar ficou o VZ, que de facto só consigo apreciar com pelo menos três anos em cima, depois de incorporar o excesso de madeira que apresenta enquanto novo. Está neste momento num belo momento apresentando as notas fumadas bem amparadas pela mineralidade e doçura que apresenta, que parece vir do álcool apesar dos seus 12,5%, um valor modesto neste estilo de vinhos.

Em sexto ficou o borgonhês, em quem o Jorginho certamente depositava muita esperança, mas a verdade é que não encantou, seja por este grupo ainda não ter paladar para os compreender plenamente seja por ele não ser brilhante. Estaremos no entanto sempre prontos a tentar gostar…

Depois veio o branco italiano, considerado como o terceiro melhor vinho por dois dos participantes e que eu confundi com o Viognier francês. Como é possível? Não a confusão, mas o facto de não ter detectado Condrieu que acabou por ficar no lugar seguinte e que de facto apresentava os típicos aromas a pêssego, mas tão suaves notas e tão pouco gorduroso na boca que me enganou completamente. O italiano, por sua vez, é elaborado exclusivamente com a casta Arneis, originária de Roero, mais uma para o nosso curriculum, que desconhecíamos por completo e por isso apenas ficámos com um vislumbre do que poderá ser. Apenas vos posso acrescentar que é usada por vezes para amaciar os Nebbiolo e que talvez por isso seja conhecida como Barolo Bianco.

Já me esquecia de comentar um dos vinhos elaborados por um dos enfant terrible do Alentejo, Miguel Louro de seu nome, médico dentista de profissão e certamente um pesadelo para os enólogos que consigo trabalham na Quinta do Mouro. Este Rótulo Dourado, elaborado com Alicante Bouschet, Aragonez, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon pretende ser um, senão o melhor vinho deste produtor, mas desta feita foi relegado para o 9º lugar geral apesar de ninguém o ter colocado abaixo do 8º. Curioso não é? A explicação é simples, apenas dois, o André e o Orlando lhe deram classificação razoável, 3º e 4º lugar respectivamente, enquanto todos os restantes o classificou abaixo do 6º.

Em décimo uma pequena desilusão, pois costumamos gostar muito do Meruge, mas desta feita além de já estar em queda ainda apresentava um aroma que esta mesa não suporta, couro suado…

Para o último lugar foi relegado o vinho que quase serviu de inspiração para abrir esta crónica, dizendo que fiquei todo “chinado”, mas depois achei que era dar demasiado valor a uma espécie de vinho que é elaborado de uma forma que não será muito diferente da utilizada no vermute, com a adição ao vinho, que tem de ser um Barolo DOCG, de uma mistela feita por álcool que esteve a macerar com uma dúzia de ervas, açúcar e a casca de uma árvore dos Andes, conhecida por Cinchona ou Quina. Estão a ver a ligação? Quina? Quinino? Percebem como fica a coisa? Entre o doce do vinho e do açúcar e o amargo do quinino? Só um italiano para estragar um vinho tão bom como o Barolo com esta mixórdia, ou então é para recuperar o estilo Barolo até meados do século XIX, que era doce por as uvas serem apanhadas muito tarde, devido a uma tardia maturação, e quando fermentavam, em Novembro ou Dezembro, o frio impedir a fermentação total. As coisas que se aprendem por escrever estas crónicas…

Parabéns ao Pedro Sousa por ter acertado em 6 dos 8 vinhos que foram servidos às cegas, já que pelo vinho que trouxe não o posso parabenizar.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Jantar Enogastronómico com a Real Companhia Velha

Depois de já ter apresentado os seus próprios vinhos, onde o famoso Poeira era a estrela maior, Jorge Moreira regressa, desta vez para apresentar os vinhos da empresa com o maior potencial e com a disposição para inovar e experimentar que alguma vez teve oportunidade de trabalhar.
Ainda não será no entanto desta vez que se verá a marca evidente deste conceituado enólogo, pois alguns destes vinhos foram feitos antes da sua chegada, mas ainda assim terão um dedito do seu génio nos afinamentos finais antes do engarrafamento.
Eis o cardápio de tão prometedora viagem.
Inscrevam-se através do e-mail q.v.quovadis.2009@gmail.com ou do telefone 224049027.

Enoteca e Cozinha Mediterrânica q.v.*

22 de Fevereiro de 2012

JANTAR ENOGASTRONÓMICO

com a presença do enólogo Jorge Moreira

Welcome drink & Boas Vindas do Chefe Rui Tomé

Qta do Cidrô – Alvarinho 2011

*

Entrada

Cesta de queijo com doce de uva e frutos secos

Grandjó Late Harvest 2007

*

Prato de peixe

Corvina escalfada com manteiga de coentros e puré de grelos com azeite de trufa branca

Qta do Cidrô – Chardonnay 2009

Qta das Carvalhas Branco 2010

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Prato de carne

Naco de novilho em estufado de grão-de-bico, cogumelos shiitake e algas negras

Qta do Cidrô – Pinot Noir 2008

Qta do Cidrô – Touriga Nacional 2009

Qta das Carvalhas Tinto 2010

*

Sobremesa

Língua crocante com bolo de ovos e laranja pontuado por espuma de nata azeda

Porto Colheita Real Ca. Velha 1977

*q.v.Quo Vadis

Preço por pessoa: 30,00€

Hora: 20h30


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ivy League - O Dia XXI - A Crónica

MENU

Estufado de choquinhos

Açorda de bacalhau e camarão

Tripas à moda do Porto

Bolo de cenoura com creme de tangerina fresca

Eis os jogadores e respectivos seleccionadores da última jornada e desta vez, quase me atrevia a dizer que só o Rui merecia estar presente, tal a diferença de qualidade do seu vinho para os demais.


Louis Roederer Rosé Millésimé 2002 – Jogador 1 do Alexandre Braga

Huber Riesling "Von den Terrassen" 2003 – Jogador 1 do Hildérico Coutinho

Quinta de Foz de Arouce Branco 2008 – Jogador 2 do Alexandre Braga

Roger Belland Criots-Batard-Montrachet Grand Cru 1999 – Jogador 2 do Hildérico Coutinho

Alphonse Mellot Edmond 2000 – Orlando Costa

Château Thieuley 2002 – Jogador 1 do Luís Maia

Château de la Gardine Cuvée des Générations Marie-Léoncie Vieilles Vignes 1995 – Jogador 2 do Luís Maia

Quinta das Bágeiras Garrafeira 1995 – Miguel Braga

Doda 2005 – João Romualdo

Esporão Private Selection 2005 – Pedro Sousa

Casa do Douro Porto 1963 (engarrafado em 2003) – Isabel Braga

Este foi um dos menus mais tradicionais que já tivemos, mas o prazer foi igual e as ligações estiveram em bom nível. Assim sendo, nada há a lamentar e as tripas estavam de chorar por mais. Melhor? Só no dia seguinte…

Como podem verificar, foi mais uma vez, uma barrigada de vinho, desta vez com três jogadores a apresentarem dois vinhos cada, o que deu a simpática soma de 11 vinhos. Uma equipa de futebol completa e até teve um guarda-redes frangueiro e tudo, pois o Sancerre que o Orlando trouxe apresentou, pela segunda vez em pouquíssimo tempo, a sempre temida TCA. Inaceitável em vinhos desta qualidade e são estas coisas que fazem os produtores virarem-se para as rolhas de rosca e outros que tais. Desclassificado. Orlandini, para a próxima são duas!

Também esgotado, está o meu primeiro jogador, um riesling austríaco que até tinha um aroma simpático com fruta amarela doce, mas que na boca só permanecia por uns míseros segundos, faltando-lhe aquilo que habitualmente define um riesling, mineralidade e acidez. Décimo lugar.

Quem também desiludiu, e neste caso não por estar cansado e sim, porventura, por ser novo demais. O Foz de Arouce que é usualmente tão aclamado ficou-se pelo 9º lugar.

O branco bordalês não esteve muito melhor e ficou-se pela posição seguinte, muito por causa da Isabel que gostou do vinho classificando-o em quarto lugar.

Em sétimo lugar aparece então o primeiro vinho sério da prova, mesmo não sendo para repetir, por estar já para lá do seu melhor que, a apreciar pela cor, já ocorreu há uns anos. De uma linda cor âmbar, mais apropriada a um Colheita Tardia, este branco da Borgonha apresentava aromas a caramelo e na boca estava demasiado calminho para ser um Borgonha e foi essa a razão pela qual o confundi pensando tratar-se do La Gardine. Foi no entanto considerado como o 4º melhor vinho da prova por três provadores, entre os quais me encontrava.

O champanhe ficou em 6º lugar, muito se devendo ao 2º lugar com que o Alexandre o classificou. Esteve bem e foi muito agradável, mas dos senhores do Cristal espera-se sempre mais…

Em 5º lugar aparece um vinho que foi considerado como o melhor da prova pelo Pedro Sousa, mas que para mim ainda precisa de tempo para se mostrar ao seu melhor nível. Ainda se encontra fechado, como que preso por umas pesadas algemas e a precisar de tempo para amaciar os potentes taninos que apresenta. Trata-se do Doda, antigamente conhecido como Dado, e que na altura em que foi lançado este quinto dado, colheita de 2005, ainda não era permitido aos vinhos de mesa apresentarem o ano de colheita. Este vinho, é considerado um Vinho de Mesa, a mais baixa classificação para os vinhos tranquilos em Portugal, por ser um vinho obtido com uvas de duas regiões, Douro e Dão, explicando assim o seu nome. Certo?

O tinto alentejano ficou na posição seguinte e não tenho a menor das dúvidas que seria considerado o melhor vinho tinto da prova se o painel de provadores não estivesse habitado a provar de tudo. Apresentou-se com belos aromas a fruta e chocolate, com taninos redondos e suaves, mas com uma boa e limpa acidez, que não incomoda ninguém e não deixa o vinho tornar-se enjoativo. O João considerou-o mesmo o melhor da noite. Será que o João e o Pedrito pensavam estar a votar nos vinhos deles e estavam a votar no do parceiro? Nãh!!!

Em terceiro apareceu aquele que para mim foi o melhor vinho da noite, o Château de La Gardine 1995, um branco absolutamente notável, de tal modo que eu pensava estar a beber o Grand Cru da Borgonha, pois não acreditava que este vinho com mais 4 anos ainda tivesse aquela cor. Vinho elaborado com as castas Bourboulenc, Clairette, Grenache Blanc, Grenache Grise e Picpoul, algumas delas pouco ou nada conhecidas por nós, apresentou-se com uma mineralidade e profundidade digna dos melhores vinhos franceses. Adorei!

O segundo lugar foi obtido por um orgulhoso Bairrada de 1995 e foi também considerado como o melhor vinho da noite por um comensal. Adivinhem lá quem foi? No entanto, mais cinco dos comensais consideraram, sem dúvidas de espécie nenhuma, que este foi o melhor tinto da noite. Bela evolução e está neste momento muito bem com a força da Baga já ligeiramente amansada, mas não o suficiente para estar amarfanhado. Notas de frutos do bosque com a terra e tudo e no final a apresentar café, tanto no aroma como na boca. Uma delícia e só podemos dar os parabéns ao autor deste vinho: Parabéns Mário Sérgio Nuno e obrigado por esta delícia. Há por aí outros vinhos com esta proveta idade?

Para último ficou o primeiro, não é o que se diz? De facto, mais uma vez um Porto Tawny venceu uma Ivy League, desta vez com apenas 4 (!) a considera-lo o melhor da noite. Mas que digo eu? Este vinho não é um Tawny, apesar de ter estado quarenta anos em barricas, nem é um Colheita, apesar de ser de 1963! Confusos? Eu também estaria, não fosse eu saber que apesar de este ser um vinho da Casa do Douro (é aqui que se faz Porto?) há também o IVDP e outros quejandos para complicar a coisa e eu não estou com vontade de deslindar a coisa. Pronto, este é um Vinho Generoso de 1963 do Douro e não é um Porto Tawny, mas olhem que engana bem… Eu gostei muito do vinho e só não o coloquei em primeiro lugar talvez por ainda ter na memória o Krohn de 1960 da jornada anterior. Ele está muito equilibrado e tudo muito certinho com aromas a folha de tabaco, café, fruta preta compotada e mais o que a imaginação possa alcançar, mas faltava-lhe aquela garra e profundidade que distingue um muito bom vinho de um vinho espectacular.

A próxima jornada está agendada para 5ª-feira, dia 9 de Fevereiro à hora do costume no sítio do costume e estão abertas as inscrições.

Dia de S. Valentim: AMOR EM 3 ATOS

Como não podia deixar de ser, também nós teremos um menu especial para o dia dos namorados, mas nós não temos preconceitos puritanos e assim, se quiserem vir 3 ou 4 ou os que vos apetecer, serão muito bem recebidos.
Quisemos no entanto manter algum suspense, que substitui aquela leve excitação dos primeiros encontros, utilizando para isso um menu codificado, ou se quisermos, romanceado. Damos apenas a indicação que será um menu de três pratos, com entrada, prato e sobremesa e cada prato será acompanhado por um vinho diferente, em itálico, no menu abaixo. O que temos feito merece ou não a vossa confiança?

ATO 1
Para ELA
Branco lençol de laranjas pintalgado numa folhada cama
Amarelo gasoso experimentado
Para ELE
Transparentes lascas da espada com verdes e vermelhos humedecidos por agradáveis ácidos
Fogoso branco com perfume de citrinos

ATO 2
Para ELA
Toda a maresia de um belo lombo na companhia de verdes que não são algas sob uma massa queimada de cereal e vegetal
Outro amarelo porém calmo e tranquilo
Para ELE
Riso de frutos perigosos bem tostados numa bochecha de espécime protegido
Preto esbatido com perfumes do bosque selvagem

ATO 3
Para ELA
Um branco treme-treme de laivos vermelhos pintado
Uma rosa líquida
Para ELE
A fruta proibida outra vez mordida e desta vez com companhia para o prazer aumentar
Finalmente para ele um amarelo aparentemente calmo mas vivaço como poucos

PREÇO P/ PESSOA: 25,00€

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Workshops de Vinhos e Cursos de Iniciação à Prova de Vinhos (Níveis I e II)

Pois não poderíamos começar o ano de outra forma que não seja à volta daquilo que mais gostamos, sacrilégio, de uma das coisas que mais gostamos: o vinho. Assim, creio que entenderão melhor esta nossa insistência em vos dar a conhecer este mundo maravilhoso e nada melhor que um curso de iniciação à prova de vinhos para começar a andar de uma forma equilibrada e o menos contagiado possível, de uma data de asneiras que se repetem tão insistentemente que quase se tornam verdades.
Vejam então se conseguem juntar-se a nós nas datas e cursos indicados abaixo com descrições sumárias de cada um a seguir:

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível I (80,00€)

Dias 27 Fev, 5 e 12 Mar 2012 no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 19h00.

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível II (100,00€)

Dias 25 Fev e 3 Mar 2012 no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Workshop: Os vinhos tranquilos do Douro (40,00€)

Dia 10 Mar no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Todos estes cursos serão realizados desde que estejam inscritos um número mínimo de pessoas.