Enoteca e Cozinha Mediterrânica q.v.*
Queremos agradecer a todos os nossos clientes e amigos a possibilidade de ainda existir ao fim destes dois anos tão turbulentos em Portugal e em especial na zona norte. Tê-lo conseguido nestas condições e em Matosinhos, que é certamente uma das cidades com a maior concentração de restaurantes no mundo, deixa-nos orgulhosos e a explicação só poderá estar na diferença. Cozinha diferente, vinhos diferentes e servidos de modo diferente além da possibilidade de poderem fazer aqui o que vos der na real veneta desde que exequível, virem cozinhar, trazerem vinho com uma taxa de rolha original, um copo para a casa, promoverem jantares temáticos para grupos, etc. Numa coisa no entanto não nos queremos diferenciar dos muitos restaurantes portugueses onde a simpatia é sempre presente e sabemos que nem sempre o conseguimos, mas acreditem que fazemos os possíveis para o conseguir e para melhorar.
Ao encontro do que acabámos de dizer aqui vai mais uma tentativa de oferecer algo diferente e vamos iniciar, para comemorar, neste nosso segundo ano de vida algo de que sentimos falta, o ambiente dos Pub's dos anos 80, onde ainda se podia beber um copo, ouvir música ao vivo e conversar com os amigos sem ser aos berros e aqui com o extra de não estar envolto numa nuvem de fumo. Para isso contamos com uma banda de dois entusiastas enfermeiros que foram picados pelo bichinho da música e que se auto denominaram com o sugestivo nome de The Cool Session.
Para tornar essa noite ainda mais memorável vamos ter uma noite absolutamente inédita com um rodízio de tapas, ou, por outras palavras, os petiscos vão rodar enquanto a música tocar. Tudo isto por apenas 25,00€ por pessoa e com uma bebida de cápsula ou um copo de vinho ou de espumante para alegrar os espíritos mais sombrios.
Quem se atreve a faltar? quem não quer vir dar o seu apoio e um beijinho de parabéns? Inscrevam-se o quanto antes que não vai dar para todos.
e-mail: q.v.quovadis.2009@gmail.com
Tel. 936055313
A CRÓNICA:
Em mais um dia de prazer absoluto, seja pelos vinhos como pela comida e companhia, comecemos por identificar os jogadores em causa pela ordem da fotografia, da esquerda para a direita, que foi a mesma do consumo, assim como os respectivos seleccionadores e a respectiva classificação, que graças a uma nova forma de os classificar, podem agora ser classificados até ao último lugar, cuja honra coube ao nosso amigo João:
Cava Juvé y Camps Brut Nature Gran Reserva 2007 - Extra do Alexandre Braga
Weingut Wittmann Aulerde Riesling Trocken 2007 (Rheinhessen) - Alexandre Braga (3º)
Remelluri Blanco 2005 (Rioja) - André Antunes (6º)
Laroche Petit Chablis 2004 (Bourgogne) - João Romualdo (8º)
Louis Latour Meursault 2007 (Bourgogne) - Miguel Braga (5º)
Alphonse Mellot Edmond 2000 (Sancerre) - Pedro Mota (7º)
Paul Blanck Furstentum Gewurztraminer Vendages Tardives 1998 (Alsace) - Jorge Silva (1º)
Paul Blanck Mambourg Gewurztraminer 2002 (Alsace) - Hildérico Coutinho (2º)
Frimas Ice Cider 2005 (Canadá) - Isabel Braga (3º)
Estes extras já se estão a tornar numa tradição e este, não deslumbrando, também não desagradou.
Para acompanhar a entrada que estava deliciosa, arrancámos em grande estilo com um Riesling de uma vinha especial, como são aliás muitas das deste país, que talvez como nenhum outro, valoriza a exposição solar e isso justifica a elevação destes locais a lugares sagrados. Os aromas a fruta que caracterizavam este vinho no seu nascimento, com destaque para o ananás, desapareceram, agora que está na adolescência, e deram lugar aos aromas petrolados, tão característicos desta casta, falta-lhe contudo mais complexidade e os melados que lhe trarão uma maior sensação de doçura. Daqui a 10 anos, quando espero beber uma com o Pedro Mota, estará certamente melhor.
Para o tubarão, que não percebo porque é tão pouco consumido pelos portugueses, vieram em prova cega os três vinhos mais encorpados e com estágio em madeira. Todos de regiões famosas, sendo que a espanhola é famosa é pelos seus tintos. Por incrível que vos possa parecer, os franceses estiveram a milímetros de serem enxovalhados pelo espanholito e só não o foram porque o Miguel considerou o Meursault como o melhor da noite. Nada suspeito portanto! Na verdade, para mim o melhor destes três foi mesmo o Remelluri, elaborado essencialmente com castas oriundas do vale do Ródano, que apresentou, ao contrário do que todos esperávamos, uma boa, elegante e discreta integração dos aromas das barricas de carvalho.
Com o caril apresentaram-se os restantes vinhos e começámos e bem pelo mais discreto, aliás demasiado discreto para um Sancerre, que no entanto e apesar dos seus 11 anos se apresentou perfeitamente são. No entanto o céu chegou com os Gewürztraminer que por incrível que possa parecer a muita gente que não aprecia esta exuberante casta, não deram a mínima hipótese aos restantes, ficando em primeiro e segundo lugar, sendo que o vencedor muito o deve ao facto de ser uma vindima tardia. Notável vinho que foi considerado o melhor por metade dos convivas e a pior nota foi um 4º lugar. Tive assim de me curvar, a custo, que a idade não perdoa, perante a qualidade do vinho que meu amigo Jorge Silva trouxe. Parabéns!
Para a sobremesa ficou algo que não é vinho mas que substitui com vantagem muitos e muitos colheitas tardias que existem um pouco por todo o mundo. Esta cidra que é produzida usando a mesma lógica dos Ice Wines, está de facto muito próxima dos melhores colheitas tardias, faltando-lhe porventura um final um pouco mais prolongado, que teria se tivesse maior acidez. Notável no entanto a componente aromática, com a maçã a dominar, mas a apresentar também aromas melados e a frutas doces como o pêssego em calda. Gostámos de ter sido iniciados!
*
Tártaro de carapau
**
Discos de polenta verde com estufado de cação
***
Caril de borrego com fruta e arroz basmati
****
Sanduíche doce de manga e morango com espuma de iogurte
*****
Data: 27 de Julho de 2011
Hora: 20h00
Preço: 30,00€
Hildérico Coutinho
Iniciação à Prova de Vinhos - Nível 1 · No Quo Vadis? em Matosinhos nos dias 23 e 30 de Julho de 2011 entre as 10h00 e as 14h00 com possibilidade de ficarem para almoçar na companhia do(s) formador(es) e continuarem a experimentar e a falar de vinhos.
Iniciação à Prova de Vinhos - Nível 2
· Quo Vadis? em Matosinhos nos dias 23 e 30 de Julho de 2011 entre as 16h00 e as 20h00 com jantar não incluído, mas aconselhável, pois poder-se-á testar alguns dos conselhos dados sobre maridagens.
Segue abaixo uma breve apresentação dos cursos de nível 1 e 2:
NIVEL 1
Preço: 80,00€
Formadores: Hildérico Coutinho/Luís Maia/Pedro Mota
NIVEL 2
Preço: 100,00€
Formadores: Hildérico Coutinho/Luís Maia/Pedro Mota
Inscrevam-se através do e-mail: q.v.quovadis.2009@gmail.com ou do telemóvel 936055313.
Entrada
Queijo e doce de cereja branca em processo criativo do Chef Motinha
Primeiro Prato
Chanfana de coelho
Segundo Prato
Alcatra maronesa com risotto de pimenta verde
Sobremesa
Terrina de chocolate e copo negro com mousse de manga
Data: 14 de Julho de 2011
Hora: 20h00
Preço: 30,00€
A CRÓNICA:
O jantar desta vez correu de forma diferente e sob sugestão do Império (quem pode recusar a tal entidade?) os vinhos foram servidos duplamente às cegas, isto é, os que foram assim servidos foram-no sem indicação nenhuma a não ser o prato que deveriam acompanhar. Infelizmente aí houve alguns tiros na água, algo que veio dificultar ainda mais a nossa já difícil vida.
Mas comecemos por identificar os jogadores e respectivos seleccionadores:
| Murganheira Millésime 2004 | Extra do Alexandre Braga |
| Kracher Muskat Ottonel Trockenbeerenauslese Nummer 1 2007 | Alexandre Braga |
| Alzamora Grand Reserve Malbec 2002 | Miguel Braga |
| Tapada de Coelheiros 1996 | Hildérico Coutinho |
| Aurius 2003 | Luís Império |
| Villa de Corullón 2005 | João Romualdo |
| Alzamora Grand Reserve Syrah 2002 | Isabel Braga |
| Quinta Vale D. Maria 2006 | Pedro Sousa |
| Casa Lapostolle Cuvée Alexandre Merlot 2000 | Orlando Costa |
| Kopke 10 Anos (engarrafado em 1982) | Extra do Luís Império |
Os dois primeiros vinhos, assim como o último, foram servidos às claras e o espumante extra deve-se à sede que costuma acometer a alguns dos convivas destes jantares. Quem é que dizia que era vinho a mais?
Se do primeiro não há muito a dizer, a não ser que foi bom para início de hostilidades, o mesmo não se pode dizer do segundo, um vinho intenso com aromas à Botritys, vibrante, guloso a desejar mais doçura naquela entrada que estava deliciosa mas alguns pontos abaixo do vinho. Este Kracher, elaborado com 100% desta casta de moscatel branco, também conhecida pelo nome de Muscat Rose à Petit Grains, é um dos vinhos de topo deste produtor austríaco incluído na gama Kracher Collection e só foi pena não termos provado desta colecção de 2007 o Scheurebe, que é uma casta pela qual sinto um fascínio incrível, mesmo se só a provei um par de vezes. Talvez para a próxima, não é assim meu caro Alexandre?
Os dois primeiros tintos, que acompanharam o coelho e deveriam ter tido a companhia de outros e o Malbec ficaria provavelmente melhor com a vaca, foram por mim facilmente identificados por saber que o meu só poderia ser o segundo e o primeiro alguém ventilou a origem ... Vitória nesta poule para o alentejano sem contudo encantar ninguém, até por que o couro chateia bastante o pessoal, mesmo sabendo nós que nesta altura era quase impossível não ter. Não deixa de ser curioso o facto de ninguém, dos quatro que tentaram comigo acertar nos vinhos, ter colocado aquele vinho no Alentejo. Dois colocaram-no no Dão, um no Douro e o Pedro, que esteve mais perto, falou em syrah e aragonês. Já o Argentino foi colocado por três na Bairrada e o Orlando colocou-o no Douro, algo que a meu ver tem mais a ver com esta casta.
Na poule seguinte, estavam também os melhores da noite e a vitória coube sem dúvida ao estilo Douro, já que o vencedor foi o Vale D. Maria, que apenas foi erradamente classificado pelo Império (estas entidades também erram!) e o segundo foi um vinho da Estremadura (agora chamam-lhe Lisboa) com o blend típico do Douro, o Aurius 2003. A realçar de facto o Vale D. Maria que se apresentou muito bem equilibrado entre doçura e taninos fortes mas sedosos, com profundidade de boca e sabores a frutas negras e chocolate. Delicioso! Eu comecei por apostar no Douro e depois fui para um Syrah no vinho do Eng. Bento dos Santos. O do Van Zeller adivinhei sem dificuldade, já que alguém falou antes do tempo que iria estar presente.
O Alzamora Syrah ficou em terceiro lugar e está bem. De tal modo me parece didáctico que acertei na casta mas errei no país. Apostei na Austrália.
O Merlot argentino foi o terceiro classificado e, no meu caso, foi um tiro ao lado. Contudo, acho que tenho aqui algumas atenuantes, já que não é a primeira nem a segunda vez que vejo um Merlot com os aromas e sabores do pimento verde, típico da Cabernet Sauvignon, que tinha sido a minha aposta e não sendo australiano, a minha aposta, é de um país do novo mundo, o Chile.
O Corullón ficou em 5º lugar e foi para mim uma surpresa completa. Desde a classificação à forma como se apresentou, pois eu bebi-o recentemente e estava muito macio, algo que aqui não se notou, pois a acidez foi a sua imagem de marca, de maneira que comecei por apostar no Dão e acabei nos EUA, mas tinha sido mais inteligente se tivesse ficado quieto, pois de um vinho de Bierzo, elaborado com a casta Mencia, o mais próximo deveria ser um Jaen do Dão, apesar das minhas dificuldades em encontrar no Dão vinhos com a qualidade dos que já bebi desta pequena região de Espanha.
Digamos que globalmente não nos portámos mal, no que às adivinhas diz respeito e fica por falar naquele que foi o MVP da jornada, ainda que tangencialmente, numa luta renhida com o Vale D. Maria e o Kracher.
Para mim foi fantástico ter tido a oportunidade de beber outro Tawny, num espaço de tempo tão curto, que apresentava aquela evolução em garrafa de que o Dirk falava que os Tawnys podem ter. Bom, este, ao contrário do 30 anos que tínhamos bebido recentemente, apresentava claramente essa evolução, assim como apresentou um depósito pouco normal neste tipo de vinhos. Tudo isto com a vantagem extra de neste caso, não haver dúvidas para ninguém: a evolução foi claramente positiva. Nunca se viu tanta gente cantar loas a um Tawny de 10 anos enaltecendo o vinagrinho bem envolto na doçura e untuosidade que ainda apresentava proporcionando um final de boca longo e delicioso. Notável na minha modesta opinião! Fica apenas uma dúvida, será que isto ainda pode acontecer a um 10 anos engarrafado mais recentemente com as técnicas de estabilização do vinho muito mais desenvolvidas? Responda quem souber.
Não posso acabar esta já longa prosa sem contar a forma como esta pérola veio a jogo. O Luís "justificou" a vinda deste jogador extra dizendo que tinha aberto a garrafa no dia anterior, em casa, na companhia da sua pessoa. Achou o vinho extraordinário e resolveu trazê-la para a poder partilhar connosco. Não conheço outro gesto, tão altruísta, para se demonstrar AMIZADE.
OBRIGADO LUÍS.