terça-feira, 27 de março de 2012

Jantar enogastronómico de despedida

Caros amigos,

Desculpem o aviso tão em cima da hora, mas de facto os afazeres são muitos e já vos devia ter avisado que o produtor não conseguiu ter os vinhos que prontos para a data prevista: 29 de Março. Assim sendo combinou-se uma nova data: 26 de Abril onde terão então a possibilidade de experimentar tudo o que de bom anda a fazer o José Miguel Vasques de Almeida por terras durienses e apreciar os sons do Fagote ou do Oboé. Podem desde já inscrever-se para esse jantar.

Não queria no entanto deixar defraudados todos os que já se encontram inscritos para depois de amanhã e até por poder ser o último jantar que vos apresento nos próximos tempos, resolvi continuar com o jantar previsto para juntar todos os meus amigos numa despedida sentida e por isso os vinhos serão escondidos até ao último momento. Dou apenas uma dica: será didáctico. Mereço esse crédito ou não?

Estou em crer que o Chefe também mereceria o vosso crédito, mas ainda assim aqui vai o menu:

ENTRADA

Pêssego em três texturas

PRIMEIRO PRATO

Tortilha de camarão com salada fria de feijão-branco

SEGUNDO PRATO

Coelho estufado em tosta de pão de lenha e milhos crocantes

SOBREMESA

Taça de fruta com gelado de framboesa e molho inglês, raspas de chocolate e hortelã

DATA: 29 MAR 2012

HORA: 20H30

PREÇO: 30,00€

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ivy League - Dia XXIII - A crónica

Começamos com esta Ivy League uma nova fase, fruto da maturidade que este modelo atingiu. Iremos agora, sempre que possível, convidar alguém que tenha a ver com o mundo dos vinhos ou da gastronomia, independentemente do grau de ligação a estes mundos, pois a única condição que impomos é a de sentir que é uma pessoa com um grau de paixão semelhante ao nosso por estas matérias. É assim que se justifica, além de ser um grande amigo, de ser um dos meus melhores clientes, de ter ajudado à sobrevivência deste projecto como ninguém e de alguns membros mais ativos da liga andarem cheios de saudade da lampreia, que o primeiro convidado neste novo modelo tenha sido o Vitor Pinheiro, gastrónomo apaixonado e enófilo principiante, que se mostrou à altura do desafio, apresentando duas belíssimas lampreias, à Bordalesa, mais clássica e em arroz com algum toque de inovação, pois mais parecia um risotto e que estava para o meu gosto, absolutamente deliciosa, quanto mais não seja pelo picante…

Apresentemos então os jogadores em prova pela ordem de serviço e como poderão verificar, os que escolheram vinhos para a lampreia fizeram-no de uma forma algo conservadora, eu e o André arriscamos um pouco e…

Murganheira Vintage 2004 (Pinot Noir) -- Alexandre Braga

Segura Viudas Brut Reserva Heredad -- Vitor Pinheiro

Ante AEQUINOCTIUM Veranum Grande Reserva 2010 -- Orlando Costa

Soalheiro Reserva Alvarinho 2008 -- Isabel Braga

Afros Vinhão 2009 -- Jogador 1 do Luís império

Vinha Paz Reserva 2009 -- Hildérico Coutinho

Poeira 2003 -- Jorge Silva

Xisto 2004 -- André Antunes

Qta do Vallado Sousão 2009 -- Jogador 2 do Luís império

Porto Colheita Branco Krohn 1964 -- Miguel Braga

Antes de responder à questão deixada subliminarmente falemos dos espumantes e dos brancos que serviram para acompanhar uns acepipes e a entrada propriamente dita. Desta vez foi possível servir todos (ou quase, pois o Porto era filho único) os vinhos em prova cega pois existiam sempre pelo menos dois vinhos passíveis de ser confundidos, algo que aliás eu comecei por exemplificar muito bem, falhando a identificação dos quatro primeiros vinhos, ou seja, falhei onde parecia ser mais fácil. O que me valeu, para não sair dali completamente descredibilizado (já consigo ouvir algumas vozes, como se do além viessem, mas quem é que lhe disse que ele tem alguma credibilidade?!), foi ter acertado os cinco tintos e assim apenas o Luís e o Jorge conseguiram melhor com 7 tiros certos. Suspeito que o Jorge poderia ter conseguido o pleno não fosse… O vinho! Só assim se explica as gatafunhas que escreve e me impedem, quase sempre, de utilizar as suas notas na contabilidade final. O Orlando também poderia ter conseguido o pleno, mas ao deixar-se ficar para trás, para escrever o nome dos vinhos foi desclassificado. Aqui a justiça é na hora e mai nada!

Ambos os espumantes se apresentaram em bom plano, algo que aliás não surpreende por se tratar de topos de gama de casas que produzem milhões de garrafas. No cômputo geral foram no entanto relegados para o 7º e 8º lugar, com ligeira vantagem para o cava, que eu confundi por achar mais fresco e com uma acidez mais vibrante, outros acharam o contrário e acertaram, por isso, o que posso dizer é que de facto apreciei mais o cava.

Dos brancos em confronto, toda a gente preferiu o Soalheiro (3º) ao bairradino com pretensões (9º) e eu confundi-os, não porque esperasse que este fosse melhor, mas por achar ter reconhecido o Soalheiro, quando bebi o primeiro branco. Tinha bebido o Soalheiro 2010 no dia anterior e parecia-me claramente a mesma linha. Devia ter dado mais importância à questão da acidez e mineralidade do Soalheiro, mas a verdade é que pensando bem, um vinho branco da Bairrada, feito de Bical, Arinto e Chardonnay bem podia ter essas características mais intensas. Não acham?

O primeiro vinho a ser servido e que não enganou ninguém, foi o vinho da casta que se costuma aconselhar para acompanhar a lampreia, Vinhão ou Sousão no Douro, de um produtor que tem sido aclamado lá fora primeiro, Jancis Robinson, depois cá dentro, pelas diversas revistas da especialidade. As classificações que lhe atribuímos não deixam muita margem para discussões, ficou em 10º e último lugar. Apresenta acidez e taninos a mais para a lampreia foi a opinião generalizada e nem o Luís que se mostrou um apaixonado da casta lhe deu melhor que um 5º lugar. O 3º lugar que o Alexandre lhe deu não conta, pois ele devia estar num dia zen e deu quatro primeiros lugares e três segundos lugares! Alguns poderão estar a pensar que a lampreia não estaria de acordo com os cânones habituais. Não caiam nessa, pois tínhamos uma comensal (escusado referi-la), especialista na matéria e devoradora da espécie há já várias décadas! Quem diria, de tão jovem se apresenta! E que garantiu não comer uma assim faz tempo!

O outro vinho da casta, oriundo do Douro, foi o último tinto a ser servido e acompanhou por isso o arroz. As avaliações positivas da crítica foram neste caso confirmadas pelo Alexandre que o considerou como o melhor dos tintos, muito pela ligação com o prato que achou perfeita e pelo Luís que o elegeu como vinho da noite! Em termos gerais ficou em 6º lugar, achando eu que um pouco mais de tempo em madeira, não lhe faria mal nenhum. O estilo da casta é inconfundível suavizado pelo calor do Douro.

Dos restantes tintos, aquele que estava a arriscar mais era sem duvida o André, pois o Xisto é um vinho do Douro, mas 2004 foi um ano quente e o estilo não é propriamente o da elegância. De facto o vinho mostrou-se, na minha opinião, um pouco cansado, ou seja, com falta de frescura e exuberância, mas ainda assim foi muito apreciado pelo André e pelo Orlando com este a considerá-lo mesmo como o melhor tinto, dando-lhe o terceiro lugar geral.

O Jorge ao trazer o Poeira arriscou pouco, mesmo tendo sido 2003 um dos anos mais quentes da década, por ter origem em vinhas voltadas a norte e apresentar por isso sempre uma acidez acima do normal. Não se deu mal, conseguiu o 4º lugar geral, que foi a classificação que 5 dos 7 votantes lhe deu, pois além do inelegível Jorge, também o Vitor resolveu ter um ataque de timidez e recusou-se a votar. O vinho apresenta de fato aquela acidez típica que me permitiu reconhecê-lo, com taninos ainda muito sólidos e pronto para andar mais meia dúzia de anos sem problemas.

Eu arrisquei muito mais, em primeiro lugar por não conhecer esta colheita e em segundo por apostar num vinho que eu sabia ser mais suave e de taninos mais redondos, mesmo esperando por uma acidez suficientemente forte para que o vinho se apresentasse fresco. Acertei! O vinho tinha tudo isso e melhor, ligou lindamente com a lampreia, pois a acidez foi suficiente para aguentar a acidez do vinho utilizado na sua confeção e para limpar o palato da gordura da bicha. A doçura ajudou e permitiu que as notas de cacau aparecessem num equilíbrio notável. Pode ser que por ter vindo depois do Afros este Vinha Paz me tenha sabido tão bem, mas a verdade é que na altura me pareceu um necessário e salutar docinho. Segundo lugar geral e só o Orlando, um filho do Dão, o castigou com um quinto lugar. Como é aquela, santos da casa?

Creio que no entanto que fica aqui demonstrado que aquela teoria de que a melhor companhia para a lampreia é o vinho verde tinto não passa disso mesmo, uma teoria…

Para o fim e para terminar em beleza veio mais um Porto vencedor, como sempre deveria ser, com um Colheita Branco de 64 a mostrar o que andam a perder as maiores casa de Vinho do Porto ao não procurarem estas relíquias, já que de acervo próprio não devem ter muita coisa. Já bebemos melhor da casa Dalva, mas a Krohn, que não sabe fazer maus tawnies mostra aqui com este branco velho, engarrafado em 2010, que essa tendência se mantém intacta! O aspecto, porventura mais educativo desta prova, é o de verificar que se fosse tinto e tivesse 46 anos de casco, o mais provável era estar já muito doce, provavelmente com um vinagrinho bem evidente e com alguma falta de frescura. Não seria necessário dizê-lo, mas este não tinha nada disso e ainda pede mais tempo de barrica. Notável!

Acabo esta crónica fazendo dizendo que a próxima jornada será na quarta-feira, dia 21 de Março, tendo desta vez por convidado o Pedro Araújo da Quinta do Ameal e teremos por isso uma sessão dedicada aos brancos onde estarão misturados alguns dos vinhos deste aclamado produtor.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Cursos de Iniciação à Prova de Vinhos e mais Workshops

Já estava em tempo de vos apresentar novas datas para os cursos que nos fazem agradecer a nossa existência, pelo prazer que proporcionam e mais ainda pelos prazeres vindouros. Existem várias possibilidades para todos os gostos, carteiras e necessidades.

Vejam então se conseguem juntar-se a nós nas datas e cursos indicados abaixo:

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível I (80,00€)

Dias 16, 23 e 30 Abr 2012 no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 19h00.

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível II (100,00€)

Dias 26 Mar, 2 e 9 Abr 2012 no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 19h00.

Workshop: Vinho do Porto (40,00€)

Dia 31 Mar no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Workshop: Os vinhos tranquilos do Douro (40,00€)

Dia 21 Abr no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Workshop: Brincadeiras com vinhos (40,00€)

Dia 7 Abr no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Todos estes cursos serão realizados desde que estejam inscritos um número mínimo de pessoas.

A descrição, para quem estiver interessado, de cada um dos cursos segue abaixo:

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível I

1ª Sessão

· O vinho – teoria – os estilos e o processo de vinificação

· Conhecimentos básicos de enologia

· O sistema de prova

2ª Sessão

· Os vinhos brancos e as castas mais apreciadas internacionalmente com destaque para a Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Viognier, Pinot Grigio, Gewürztraminer, Grüner Veltliner, Torrontés e Alvarinho.

3ª Sessão

· Os vinhos tintos e as castas tintas mais conceituadas e valorizadas internacionalmente a começar na Cabernet Sauvignon e Merlot, continuando pela apaixonante Syrah, a difícil Pinot Noir, as peculiares Sangiovese e Malbec, terminando nas nossas mais familiares Tempranillo e Touriga Nacional.

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível II

Parafraseando um amigo que utiliza como lema a frase “o que a gente leva desta vida é a vida que a gente leva …” e que, se fomos competentes o suficiente, os alunos do nível 1 terão apreendido, não podia deixar de vos incentivar a participar neste curso que vos ajudará a perceber melhor os vinhos e as regiões mais conhecidas e admiradas a nível mundial.

· 1ª Sessão

    • As condições ideais para o armazenamento do vinho
    • O serviço de vinhos
    • As temperaturas de serviço
    • Os utensílios e os copos
    • França e algumas das suas regiões mais famosas
      • Bordéus
      • Borgonha
      • Vale do Ródano
      • Alsácia
  • 2ª Sessão
    • Alemanha
    • Áustria
    • Itália com destaque para as regiões do Piemonte e Toscânia.
    • Espanha com destaque para Rioja e Ribera del Duero.
    • Portugal com destaque para Douro e Alentejo.
    • Estados Unidos da América com destaque para a Califórnia.
  • 3ª Sessão
    • Nova Zelândia
    • Austrália
    • Argentina
    • Chile
    • África do Sul
    • A Harmonização ou Maridagens entre o vinho e a comida

Workshop: Vinho do Porto (40,00€)

Em Portugal toda a gente pensa conhecer bem o Vinho do Porto. Pensa, mas está, usualmente, errado. Para se conhecer a história e os diversos estilos que existem deste delicioso vinho é preciso fazer algum investimento, não só monetário como de estudo. É isso que pretendemos abreviar com este curso e dar a conhecer aos portugueses um dos melhores vinhos que eu conheço.

Workshop: Os vinhos tranquilos do Douro (40,00€)

Falaremos da história da região por inerência, mas a história destes vinhos que começam a dar que falar um pouco por todo o mendo é bem mais curta, tem apenas duas décadas de vida, mas tem tanto a seu favor que um crítico norte americano escreveu no New York Times que chega a quase a ser ridículo. Descubra porquê!

Workshop: Brincadeiras com vinhos (40,00€)

Quem já não apreciou algumas brincadeiras com os nossos sentidos e com o vinho? Será que conseguem sempre descobrir se estão a beber um vinho branco ou um tinto? Será que os olhos nunca enganam?

Venham ver e participar nestas brincadeiras que servem para não levar tão a sério este mundo e para nos rirmos um bocado.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ivy League Especial

Podem não acreditar, mas comecei a escrever esta crónica não tinham passado sequer 24 horas após a realização desta jornada da Ivy League. Uma avaria no computador acabou por repor os tempos habituais de reacção e desta vez com a agravante de ter também perdido as notas que cada seleccionador deu aos vinhos. Restaram as notas de um jogador, as do Orlando. As notas dos restantes convivas (5 no total) que fui recuperando valem o que valem, incluindo as minhas que estando quase certas poderão ter tido uma ou outra troca.

Os mais atentos e que são usualmente convidados para estas jornadas deverão estar a perguntar-se, mas quando é que ele enviou a convocatória? Não enviei. Essa é a resposta e o motivo é simples e quero expô-lo, pois estou convicto que o compreenderão e que fariam o mesmo se estivessem no meu lugar. A mini-vertical de Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa foi finalmente concertada e agendada. Assim sendo, para que ela se realizasse era preciso que os proprietários das ditas estivessem presentes e restariam poucos lugares para os remanescentes. Não me pareceu justo que esses lugares fossem preenchidos pelos que fossem mais rápidos a responder ao desafio, que se soubessem ao que vinham seriam rapidamente preenchidos e sim que fossem ocupados por aqueles que mais têm ajudado a que este projecto (e incluo neste projecto a própria sobrevivência do Quo Vadis?) vá sobrevivendo às sucessivas vagas de pessimismo que minam a nossa sociedade. Infelizmente nem todos os que mereciam ser convidados o puderam ser, pois apesar de ter sido quebrada a regra de ouro de só termos 8 participantes em cada jornada, ela não poderia ser quebrada de uma forma grosseira ou acabaríamos por não ter vinho suficiente para o podermos apreciar como ele merece. Felizmente alguns não puderam ou quiseram vir e ficámos assim 9 participantes, que é um número igualmente atractivo para estes encontros. Número esse que será no futuro várias vezes por motivos diversos e que serão expostos na devida ocasião.

Segue-se então a lista dos jogadores e respectivos seleccionadores:

Mailly L'Air Grand Cru Millésime 2005 – Luís Pereira

Bollinger Special Cuvée – Orlando Costa

Blin's Edition Limitée Brut Rosé – Jorge Silva

Dr. von Bassermann-Jordan Forster Jesuitengarten Riesling trocken 2005 – Jogador 1 do Alexandre Braga

Condessa de Santar 2010 – Isabel Braga

Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005 – Jogador 1 do André Antunes

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005 – Miguel Braga

Quinta do Crasto Vinha da Ponte 2007 – Jogador 2 do André Antunes

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2007 – Pedro Sousa

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2006 – Hildérico Coutinho

Domaine des Schistes La Cerisaie 2007 - Jogador 2 do Alexandre Braga

Uma vez que iriam estar presentes muitos tintos pedi aos restantes que trouxessem champanhe, vinhos brancos ou de sobremesa. Foi o que fizeram, mas apenas os brancos se mostraram à altura dos grandiosos tintos que estavam em prova.

Resolvemos servir os tintos em prova cega, mesmo sabendo que existiam dois intrusos à mini-vertical, mas felizmente ambos do mesmo produtor e igualmente bons, o Touriga Nacional de 2005 e o Vinha da Ponte de 2007. São sempre engraçadas estas provas, quanto mais não seja para demonstrar o que o Alexandre no final resumiu de uma forma notável: “Quanto mais bebemos menos sabemos…”. Se não é uma verdade absoluta, anda lá perto, mas que lida pelo ângulo certo nos traz a certeza de que felizmente muito temos de aprender e por isso muito teremos de ler e por incrível que pareça, melhor ainda, de beber…

A ideia inicial era a de termos só Teresas na mesa, no que a tintos diz respeito, mas a recusa por parte dos dirigentes da Quinta em nos ceder Teresas de outros anos além dos que tínhamos inviabilizou tal desiderato e tivemos assim de respeitar a génese portuguesa e improvisar…

Dos três champanhes o único que para mim mereceu alguma atenção foi o Bollinger (6º lugar) que se distinguiu e foi facilmente reconhecido pelas notas de fermento e amanteigados que apresentava, isto apesar de também os champanhes terem sido servidos em prova cega. Não vamos no entanto contabiliza-los nos acertos porque um era rosé e os outros acabaram por se mostrar demasiado fáceis. Uma nota ao rosé tem de ser dada, pois era tão fora do comum, tão fora, tão fora, que não valia nada (11º lugar e último). Fiquei admirado, pois acho que os brancos desta casa têm uma bela relação qualidade/preço. Este é para esquecer, não é assim Jorge?

Os brancos estavam ambos em bom nível, mas eram tão diferentes que dispensámos a prova cega. O Condessa de Santar, que não apresentei como branco porque seria quase como que um eufemismo, mostra claramente a qualidade a que os vinhos brancos do Dão podem aspirar. Elaborado com cerceal, encruzado e arinto, três castas que muito aprecio, a solo ou acompanhadas, com estágio em madeira de muito bom nível e com presença suficientemente audível mas sem ser barulhenta de mais, com uma mineralidade óbvia e agradável, fruta e flores presentes mas a necessitar de mais atenção para serem devidamente apreciadas. Ficou em 8º lugar, muito próximo do outro branco e do melhor dos champanhes e apenas porque os tintos eram de facto de primeira grandeza. Eu classifiquei-o em 7º lugar logo a seguir ao outro branco, um belíssimo Riesling de Pfalz que ficou classificado ex-aequo com o Bollinger. Já por cá passou a colheita de 2004 deste produtor e está bem mais duro e jovem que este 2005.

Um aparte por estar a escrever numa esplanada do cais de Gaia e estar atrás de mim um senhor dos seus 70 anos que insiste em dançar com a sua mulher uma valsa que ele vai cantarolando com alguma resistência por parte dela, mas que a mim me parece uma bonita imagem…

E vamos então aos tintos que motivaram esta Ivy League especial e que não desiludiram, porventura por terem sido bem tratados com decantações adequadas e temperaturas correctas de serviço. Não desiludiram mas surpreenderam em vários itens. Eu defino-me habitualmente como apreciador de Teresas quando comparados com os da Ponte, mas com a nota que lhe atribuí desta vez vou ter de provar mais Pontes para confirmar ou refutar o que esta prova insinuou (está alguém da Qta do Crasto a ler?). É que eu classifiquei o Ponte em 3º lugar e à frente de dois Teresas, incluindo o do mesmo ano, que é por sinal considerado pela casa como o melhor de todos. Este painel não concordou e deu o primeiro lugar, com pelo menos 4 dos 9 provadores a considerá-lo como o melhor, ao Maria Teresa de 2005. Eu pessoalmente gostei muito também do Touriga Nacional, que estava um autêntico doce líquido, mas que os restantes penalizaram e acabou por ficar em último lugar dos tintos. De notar no entanto que ninguém se atravessou dizendo sem margem para dúvidas que aquele era o Touriga, algo que seria até expectável. O Teresa 2005 soube-me como que um upgrade do TN 2005, pois apresentava o mesmo equilíbrio mas acrescentava complexidade, potência e profundidade. Formidável.

Apesar de ninguém o ter considerado como o melhor vinho da noite, o Ponte acabou por ficar com o segundo lugar por ninguém não ter gostado dele e ficou ou em 2º ou em 3º nas preferências de toda a gente.

O Maria Teresa 2007 foi considerado como o melhor pelo Pedro e pelo André, mas foi muito penalizado pelo 6º lugar geral que o Orlando lhe atribuiu.

O Orlando considerou como melhor o MT de 2006, exactamente aquele que eu considerei como o mais desequilibrado, com a acidez a tornar-se demasiado impositiva. Não deixa de ser estranho, pois eu tinha bebido este vinho há uns 3 meses atrás e tinha-o achado perfeito. O Miguel também gostou dele e deu-lhe o 2º lugar geral.

Para acabar esta crónica falemos do vinho doce que esteve em prova, usualmente considerados como os melhores, mas que este não conseguiu igualar. Trata-se de um vinho tinto doce de Roussillon, nos Pirenéus franceses, bem juntinho a Espanha e elaborado com a casta francesa que tão bem se adaptou a Espanha, a Garnacha ou Grenache Noir, nascida nos terrenos do Ródano. Este vinho tem no entanto 17% de álcool e é por isso bem diferente dos bons vinhos tintos doces que já bebi de Espanha e que esperava ver aqui mais ou menos replicado. Não é nada disso e infelizmente a evolução é negativa e o vinho é de facto bem mais desinteressante. Ficou em 9º lugar e arrisco mesmo a dizer que para fazer isto o melhor é deixarem-se disso e beberem LBV.

Estamos a minutos de começar a Ivy League XXIII e por isso tenho de acabar com isto. Beijinhos e até breve,

Hildérico Coutinho

Jantar de Homenagem à Mulher


Se há alguém a quem nós temos de dedicar a nossa mais sincera homenagem e os nossos maiores agradecimentos, esse alguém é sem sombra de dúvida a mulher. Mulher com H grande como alguém diria, pois sempre estamos habituados a falar dos grandes homens esquecendo as grandes mulheres que já existiram e que muitas vezes não podiam dar a cara e tinham de aparecer através de um homem menor. É bom não esquecer que na história da humanidade a mulher esteve quase sempre na sombra, proibida de dar o seu melhor e maior contributo. Isso só foi possível, por incrível que pareça, nas últimas meia dúzia de décadas se tanto e a qualquer coisa como 1/5 das mulheres. Incrível, mas é a verdade. Não vamos chorar ou esmorecer, vamos comemorar o que as mulheres ocidentais conseguiram e ter esperança de que o efeito de contágio de propague para todas as regiões onde as mulheres continuam a ser silenciadas.
Teremos por isso um menu pensada e dedicado a elas, sendo que também não queremos penalizar ninguém e haverão alternativas a quem não gostar ou for alérgico a qualquer das nossas propostas. A nossa humilde contribuição passa por dar um desconto de 50% a todas as mulheres que quiserem vir jantar este menu especial:

Almofadinha de queijo de cabra, frutos secos e mel com uma flute de espumante velho meio seco

Risotto de gambas com um copo de vinho verde branco

Tartelete de amêndoa com chocolate, morangos e amoras com um copo de Porto Late Bottled Vintage

Data: 8 de Março de 2012
Preço por pessoa: 25,00€
Mulheres de qualquer idade e condição: 12,50€

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ivy League - O Dia XXII - A Crónica

Jean Boillot & Fils Beaune Les Epenottes 1er Cru 2001 – Jorge Silva

Meruge Tinto 2004 – Pedro Sousa

E. Guigal Condrieu 2008 – Jogador 1 do Alexandre Braga

Fontanafredda Roero Arneis Pradalupo 2009 – Jogador 1 do Orlando Costa

VZ 2008 – Hildérico Coutinho

Bodegas Mauro Terreus 2006 – Isabel Braga

Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2006 – André Antunes

Gaja Promis 2005 – Jogador 2 do Orlando Costa

Ceretto Barolo Chinato – Jogador 2 do Alexandre Braga

Porto Vintage Graham's 2000 – Jogador 1 do Rui Freitas

Porto Vintage Graham's 1994 – Jogador 2 do Rui Freitas


Entrada

Magret de pato laminado com mozzarella de búfala e tomate marinado em cama de endívea

Prato de peixe

Calzone de bacalhau, salpicão, espinafres, azeitona e pimentos

Prato de carne

Bife do lombo com foie gras

Sobremesa

Chocolate surpresa

Desta vez o Rui não se pode queixar do nível dos acompanhantes dos seus jogadores e teria mesmo perdido o jogo não fora ter trazido um jogador extra de um ano que só vem confirmando o que digo há já uns anos, de 1994 ser o melhor ano dos últimos 30 anos no que aos Vintage diz respeito. De facto e apesar de 2000 ter sido um belíssimo ano para Vintage e do Graham’s se ter apresentado muito bem (3º lugar) graças também aos mimos bem dados pelo treinador, que os decantou como deve de ser, na temperatura e no tempo (Quem sabe, sabe! Não é Rui?) a verdade é que o nível que o 1994 apresentou é, a meu ver, inalcançável para o 2000. O 94 é um verdadeiro chocolate líquido e podem dizer-me que seria mais barato beber chocolate líquido e eu contraponho dizendo-vos que se os amantes de chocolate soubessem do nível a que poderia chegar o chocolate líquido iam a correr comprar estas garrafas todas… E eu até tenho uma no restaurante…

E dizia eu que não fora o 94 e quem teria ganho teria sido a Isabel, que apresentou um jogador pontuado com 98 pontos pela Wine Advocat do Robert Parker e mesmo com a recente polémica em torno do crítico desta revista que tinha a responsabilidade de provar os vinhos espanhóis a verdade é que só um vinho espanhol tinha até esta altura sido pontuado com mais, um Unico Reserva Especial do mítico Vega Sicilia que obteve 99 pontos. Foi, curiosamente, ou talvez não, nas Bodegas Veja Sicilia, que Mariano García trabalhou como enólogo durante trinta anos e de onde saiu em 1998 para criar uma série de vinhos famosos como é o caso dos Mauro, San Román ou Aalto. E se conhecem estes vinhos perceberão o que querem dizer quando dizem que este é provavelmente o vinho mais excelso deste enólogo. Foi um dos melhores, se não o melhor Tempranillo que bebi até hoje e apenas mantenho alguma dúvida em relação ao Alabaster 2007 da região de Toro. Este vinho apresentou-se com uma doçura incrível e incrível foi também não se ter tornado enjoativo, que seria o mais normal num vinho assim, mas a frescura que conseguia ter, mesmo sem se notar à primeira, fez toda a diferença. Só o Orlando é que não gostou deste vinho tendo-o votado em 8º lugar.

Em quarto lugar ficou o jogador 2 do Orlando, um Gaja catalogado como um super-tuscano, não por ser super caro, mas por ser elaborado com castas não autorizadas na região, neste caso Merlot (55%), Syrah (35%) e a local Sangiovese (10%). Eu também o classifiquei em 4º lugar apesar de não ser um fã da Merlot, mas este vinho tinha algo mais que o estilo pesadão e com pouca acidez que os caracteriza, seja pela frescura que a Sangiovese lhe terá emprestado seja pela complexidade aromática e estrutural da Syrah.

Em quinto lugar ficou o VZ, que de facto só consigo apreciar com pelo menos três anos em cima, depois de incorporar o excesso de madeira que apresenta enquanto novo. Está neste momento num belo momento apresentando as notas fumadas bem amparadas pela mineralidade e doçura que apresenta, que parece vir do álcool apesar dos seus 12,5%, um valor modesto neste estilo de vinhos.

Em sexto ficou o borgonhês, em quem o Jorginho certamente depositava muita esperança, mas a verdade é que não encantou, seja por este grupo ainda não ter paladar para os compreender plenamente seja por ele não ser brilhante. Estaremos no entanto sempre prontos a tentar gostar…

Depois veio o branco italiano, considerado como o terceiro melhor vinho por dois dos participantes e que eu confundi com o Viognier francês. Como é possível? Não a confusão, mas o facto de não ter detectado Condrieu que acabou por ficar no lugar seguinte e que de facto apresentava os típicos aromas a pêssego, mas tão suaves notas e tão pouco gorduroso na boca que me enganou completamente. O italiano, por sua vez, é elaborado exclusivamente com a casta Arneis, originária de Roero, mais uma para o nosso curriculum, que desconhecíamos por completo e por isso apenas ficámos com um vislumbre do que poderá ser. Apenas vos posso acrescentar que é usada por vezes para amaciar os Nebbiolo e que talvez por isso seja conhecida como Barolo Bianco.

Já me esquecia de comentar um dos vinhos elaborados por um dos enfant terrible do Alentejo, Miguel Louro de seu nome, médico dentista de profissão e certamente um pesadelo para os enólogos que consigo trabalham na Quinta do Mouro. Este Rótulo Dourado, elaborado com Alicante Bouschet, Aragonez, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon pretende ser um, senão o melhor vinho deste produtor, mas desta feita foi relegado para o 9º lugar geral apesar de ninguém o ter colocado abaixo do 8º. Curioso não é? A explicação é simples, apenas dois, o André e o Orlando lhe deram classificação razoável, 3º e 4º lugar respectivamente, enquanto todos os restantes o classificou abaixo do 6º.

Em décimo uma pequena desilusão, pois costumamos gostar muito do Meruge, mas desta feita além de já estar em queda ainda apresentava um aroma que esta mesa não suporta, couro suado…

Para o último lugar foi relegado o vinho que quase serviu de inspiração para abrir esta crónica, dizendo que fiquei todo “chinado”, mas depois achei que era dar demasiado valor a uma espécie de vinho que é elaborado de uma forma que não será muito diferente da utilizada no vermute, com a adição ao vinho, que tem de ser um Barolo DOCG, de uma mistela feita por álcool que esteve a macerar com uma dúzia de ervas, açúcar e a casca de uma árvore dos Andes, conhecida por Cinchona ou Quina. Estão a ver a ligação? Quina? Quinino? Percebem como fica a coisa? Entre o doce do vinho e do açúcar e o amargo do quinino? Só um italiano para estragar um vinho tão bom como o Barolo com esta mixórdia, ou então é para recuperar o estilo Barolo até meados do século XIX, que era doce por as uvas serem apanhadas muito tarde, devido a uma tardia maturação, e quando fermentavam, em Novembro ou Dezembro, o frio impedir a fermentação total. As coisas que se aprendem por escrever estas crónicas…

Parabéns ao Pedro Sousa por ter acertado em 6 dos 8 vinhos que foram servidos às cegas, já que pelo vinho que trouxe não o posso parabenizar.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Jantar Enogastronómico com a Real Companhia Velha

Depois de já ter apresentado os seus próprios vinhos, onde o famoso Poeira era a estrela maior, Jorge Moreira regressa, desta vez para apresentar os vinhos da empresa com o maior potencial e com a disposição para inovar e experimentar que alguma vez teve oportunidade de trabalhar.
Ainda não será no entanto desta vez que se verá a marca evidente deste conceituado enólogo, pois alguns destes vinhos foram feitos antes da sua chegada, mas ainda assim terão um dedito do seu génio nos afinamentos finais antes do engarrafamento.
Eis o cardápio de tão prometedora viagem.
Inscrevam-se através do e-mail q.v.quovadis.2009@gmail.com ou do telefone 224049027.

Enoteca e Cozinha Mediterrânica q.v.*

22 de Fevereiro de 2012

JANTAR ENOGASTRONÓMICO

com a presença do enólogo Jorge Moreira

Welcome drink & Boas Vindas do Chefe Rui Tomé

Qta do Cidrô – Alvarinho 2011

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Entrada

Cesta de queijo com doce de uva e frutos secos

Grandjó Late Harvest 2007

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Prato de peixe

Corvina escalfada com manteiga de coentros e puré de grelos com azeite de trufa branca

Qta do Cidrô – Chardonnay 2009

Qta das Carvalhas Branco 2010

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Prato de carne

Naco de novilho em estufado de grão-de-bico, cogumelos shiitake e algas negras

Qta do Cidrô – Pinot Noir 2008

Qta do Cidrô – Touriga Nacional 2009

Qta das Carvalhas Tinto 2010

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Sobremesa

Língua crocante com bolo de ovos e laranja pontuado por espuma de nata azeda

Porto Colheita Real Ca. Velha 1977

*q.v.Quo Vadis

Preço por pessoa: 30,00€

Hora: 20h30