quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ivy League - O Dia XXII - A Crónica

Jean Boillot & Fils Beaune Les Epenottes 1er Cru 2001 – Jorge Silva

Meruge Tinto 2004 – Pedro Sousa

E. Guigal Condrieu 2008 – Jogador 1 do Alexandre Braga

Fontanafredda Roero Arneis Pradalupo 2009 – Jogador 1 do Orlando Costa

VZ 2008 – Hildérico Coutinho

Bodegas Mauro Terreus 2006 – Isabel Braga

Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2006 – André Antunes

Gaja Promis 2005 – Jogador 2 do Orlando Costa

Ceretto Barolo Chinato – Jogador 2 do Alexandre Braga

Porto Vintage Graham's 2000 – Jogador 1 do Rui Freitas

Porto Vintage Graham's 1994 – Jogador 2 do Rui Freitas


Entrada

Magret de pato laminado com mozzarella de búfala e tomate marinado em cama de endívea

Prato de peixe

Calzone de bacalhau, salpicão, espinafres, azeitona e pimentos

Prato de carne

Bife do lombo com foie gras

Sobremesa

Chocolate surpresa

Desta vez o Rui não se pode queixar do nível dos acompanhantes dos seus jogadores e teria mesmo perdido o jogo não fora ter trazido um jogador extra de um ano que só vem confirmando o que digo há já uns anos, de 1994 ser o melhor ano dos últimos 30 anos no que aos Vintage diz respeito. De facto e apesar de 2000 ter sido um belíssimo ano para Vintage e do Graham’s se ter apresentado muito bem (3º lugar) graças também aos mimos bem dados pelo treinador, que os decantou como deve de ser, na temperatura e no tempo (Quem sabe, sabe! Não é Rui?) a verdade é que o nível que o 1994 apresentou é, a meu ver, inalcançável para o 2000. O 94 é um verdadeiro chocolate líquido e podem dizer-me que seria mais barato beber chocolate líquido e eu contraponho dizendo-vos que se os amantes de chocolate soubessem do nível a que poderia chegar o chocolate líquido iam a correr comprar estas garrafas todas… E eu até tenho uma no restaurante…

E dizia eu que não fora o 94 e quem teria ganho teria sido a Isabel, que apresentou um jogador pontuado com 98 pontos pela Wine Advocat do Robert Parker e mesmo com a recente polémica em torno do crítico desta revista que tinha a responsabilidade de provar os vinhos espanhóis a verdade é que só um vinho espanhol tinha até esta altura sido pontuado com mais, um Unico Reserva Especial do mítico Vega Sicilia que obteve 99 pontos. Foi, curiosamente, ou talvez não, nas Bodegas Veja Sicilia, que Mariano García trabalhou como enólogo durante trinta anos e de onde saiu em 1998 para criar uma série de vinhos famosos como é o caso dos Mauro, San Román ou Aalto. E se conhecem estes vinhos perceberão o que querem dizer quando dizem que este é provavelmente o vinho mais excelso deste enólogo. Foi um dos melhores, se não o melhor Tempranillo que bebi até hoje e apenas mantenho alguma dúvida em relação ao Alabaster 2007 da região de Toro. Este vinho apresentou-se com uma doçura incrível e incrível foi também não se ter tornado enjoativo, que seria o mais normal num vinho assim, mas a frescura que conseguia ter, mesmo sem se notar à primeira, fez toda a diferença. Só o Orlando é que não gostou deste vinho tendo-o votado em 8º lugar.

Em quarto lugar ficou o jogador 2 do Orlando, um Gaja catalogado como um super-tuscano, não por ser super caro, mas por ser elaborado com castas não autorizadas na região, neste caso Merlot (55%), Syrah (35%) e a local Sangiovese (10%). Eu também o classifiquei em 4º lugar apesar de não ser um fã da Merlot, mas este vinho tinha algo mais que o estilo pesadão e com pouca acidez que os caracteriza, seja pela frescura que a Sangiovese lhe terá emprestado seja pela complexidade aromática e estrutural da Syrah.

Em quinto lugar ficou o VZ, que de facto só consigo apreciar com pelo menos três anos em cima, depois de incorporar o excesso de madeira que apresenta enquanto novo. Está neste momento num belo momento apresentando as notas fumadas bem amparadas pela mineralidade e doçura que apresenta, que parece vir do álcool apesar dos seus 12,5%, um valor modesto neste estilo de vinhos.

Em sexto ficou o borgonhês, em quem o Jorginho certamente depositava muita esperança, mas a verdade é que não encantou, seja por este grupo ainda não ter paladar para os compreender plenamente seja por ele não ser brilhante. Estaremos no entanto sempre prontos a tentar gostar…

Depois veio o branco italiano, considerado como o terceiro melhor vinho por dois dos participantes e que eu confundi com o Viognier francês. Como é possível? Não a confusão, mas o facto de não ter detectado Condrieu que acabou por ficar no lugar seguinte e que de facto apresentava os típicos aromas a pêssego, mas tão suaves notas e tão pouco gorduroso na boca que me enganou completamente. O italiano, por sua vez, é elaborado exclusivamente com a casta Arneis, originária de Roero, mais uma para o nosso curriculum, que desconhecíamos por completo e por isso apenas ficámos com um vislumbre do que poderá ser. Apenas vos posso acrescentar que é usada por vezes para amaciar os Nebbiolo e que talvez por isso seja conhecida como Barolo Bianco.

Já me esquecia de comentar um dos vinhos elaborados por um dos enfant terrible do Alentejo, Miguel Louro de seu nome, médico dentista de profissão e certamente um pesadelo para os enólogos que consigo trabalham na Quinta do Mouro. Este Rótulo Dourado, elaborado com Alicante Bouschet, Aragonez, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon pretende ser um, senão o melhor vinho deste produtor, mas desta feita foi relegado para o 9º lugar geral apesar de ninguém o ter colocado abaixo do 8º. Curioso não é? A explicação é simples, apenas dois, o André e o Orlando lhe deram classificação razoável, 3º e 4º lugar respectivamente, enquanto todos os restantes o classificou abaixo do 6º.

Em décimo uma pequena desilusão, pois costumamos gostar muito do Meruge, mas desta feita além de já estar em queda ainda apresentava um aroma que esta mesa não suporta, couro suado…

Para o último lugar foi relegado o vinho que quase serviu de inspiração para abrir esta crónica, dizendo que fiquei todo “chinado”, mas depois achei que era dar demasiado valor a uma espécie de vinho que é elaborado de uma forma que não será muito diferente da utilizada no vermute, com a adição ao vinho, que tem de ser um Barolo DOCG, de uma mistela feita por álcool que esteve a macerar com uma dúzia de ervas, açúcar e a casca de uma árvore dos Andes, conhecida por Cinchona ou Quina. Estão a ver a ligação? Quina? Quinino? Percebem como fica a coisa? Entre o doce do vinho e do açúcar e o amargo do quinino? Só um italiano para estragar um vinho tão bom como o Barolo com esta mixórdia, ou então é para recuperar o estilo Barolo até meados do século XIX, que era doce por as uvas serem apanhadas muito tarde, devido a uma tardia maturação, e quando fermentavam, em Novembro ou Dezembro, o frio impedir a fermentação total. As coisas que se aprendem por escrever estas crónicas…

Parabéns ao Pedro Sousa por ter acertado em 6 dos 8 vinhos que foram servidos às cegas, já que pelo vinho que trouxe não o posso parabenizar.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Jantar Enogastronómico com a Real Companhia Velha

Depois de já ter apresentado os seus próprios vinhos, onde o famoso Poeira era a estrela maior, Jorge Moreira regressa, desta vez para apresentar os vinhos da empresa com o maior potencial e com a disposição para inovar e experimentar que alguma vez teve oportunidade de trabalhar.
Ainda não será no entanto desta vez que se verá a marca evidente deste conceituado enólogo, pois alguns destes vinhos foram feitos antes da sua chegada, mas ainda assim terão um dedito do seu génio nos afinamentos finais antes do engarrafamento.
Eis o cardápio de tão prometedora viagem.
Inscrevam-se através do e-mail q.v.quovadis.2009@gmail.com ou do telefone 224049027.

Enoteca e Cozinha Mediterrânica q.v.*

22 de Fevereiro de 2012

JANTAR ENOGASTRONÓMICO

com a presença do enólogo Jorge Moreira

Welcome drink & Boas Vindas do Chefe Rui Tomé

Qta do Cidrô – Alvarinho 2011

*

Entrada

Cesta de queijo com doce de uva e frutos secos

Grandjó Late Harvest 2007

*

Prato de peixe

Corvina escalfada com manteiga de coentros e puré de grelos com azeite de trufa branca

Qta do Cidrô – Chardonnay 2009

Qta das Carvalhas Branco 2010

*

Prato de carne

Naco de novilho em estufado de grão-de-bico, cogumelos shiitake e algas negras

Qta do Cidrô – Pinot Noir 2008

Qta do Cidrô – Touriga Nacional 2009

Qta das Carvalhas Tinto 2010

*

Sobremesa

Língua crocante com bolo de ovos e laranja pontuado por espuma de nata azeda

Porto Colheita Real Ca. Velha 1977

*q.v.Quo Vadis

Preço por pessoa: 30,00€

Hora: 20h30


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ivy League - O Dia XXI - A Crónica

MENU

Estufado de choquinhos

Açorda de bacalhau e camarão

Tripas à moda do Porto

Bolo de cenoura com creme de tangerina fresca

Eis os jogadores e respectivos seleccionadores da última jornada e desta vez, quase me atrevia a dizer que só o Rui merecia estar presente, tal a diferença de qualidade do seu vinho para os demais.


Louis Roederer Rosé Millésimé 2002 – Jogador 1 do Alexandre Braga

Huber Riesling "Von den Terrassen" 2003 – Jogador 1 do Hildérico Coutinho

Quinta de Foz de Arouce Branco 2008 – Jogador 2 do Alexandre Braga

Roger Belland Criots-Batard-Montrachet Grand Cru 1999 – Jogador 2 do Hildérico Coutinho

Alphonse Mellot Edmond 2000 – Orlando Costa

Château Thieuley 2002 – Jogador 1 do Luís Maia

Château de la Gardine Cuvée des Générations Marie-Léoncie Vieilles Vignes 1995 – Jogador 2 do Luís Maia

Quinta das Bágeiras Garrafeira 1995 – Miguel Braga

Doda 2005 – João Romualdo

Esporão Private Selection 2005 – Pedro Sousa

Casa do Douro Porto 1963 (engarrafado em 2003) – Isabel Braga

Este foi um dos menus mais tradicionais que já tivemos, mas o prazer foi igual e as ligações estiveram em bom nível. Assim sendo, nada há a lamentar e as tripas estavam de chorar por mais. Melhor? Só no dia seguinte…

Como podem verificar, foi mais uma vez, uma barrigada de vinho, desta vez com três jogadores a apresentarem dois vinhos cada, o que deu a simpática soma de 11 vinhos. Uma equipa de futebol completa e até teve um guarda-redes frangueiro e tudo, pois o Sancerre que o Orlando trouxe apresentou, pela segunda vez em pouquíssimo tempo, a sempre temida TCA. Inaceitável em vinhos desta qualidade e são estas coisas que fazem os produtores virarem-se para as rolhas de rosca e outros que tais. Desclassificado. Orlandini, para a próxima são duas!

Também esgotado, está o meu primeiro jogador, um riesling austríaco que até tinha um aroma simpático com fruta amarela doce, mas que na boca só permanecia por uns míseros segundos, faltando-lhe aquilo que habitualmente define um riesling, mineralidade e acidez. Décimo lugar.

Quem também desiludiu, e neste caso não por estar cansado e sim, porventura, por ser novo demais. O Foz de Arouce que é usualmente tão aclamado ficou-se pelo 9º lugar.

O branco bordalês não esteve muito melhor e ficou-se pela posição seguinte, muito por causa da Isabel que gostou do vinho classificando-o em quarto lugar.

Em sétimo lugar aparece então o primeiro vinho sério da prova, mesmo não sendo para repetir, por estar já para lá do seu melhor que, a apreciar pela cor, já ocorreu há uns anos. De uma linda cor âmbar, mais apropriada a um Colheita Tardia, este branco da Borgonha apresentava aromas a caramelo e na boca estava demasiado calminho para ser um Borgonha e foi essa a razão pela qual o confundi pensando tratar-se do La Gardine. Foi no entanto considerado como o 4º melhor vinho da prova por três provadores, entre os quais me encontrava.

O champanhe ficou em 6º lugar, muito se devendo ao 2º lugar com que o Alexandre o classificou. Esteve bem e foi muito agradável, mas dos senhores do Cristal espera-se sempre mais…

Em 5º lugar aparece um vinho que foi considerado como o melhor da prova pelo Pedro Sousa, mas que para mim ainda precisa de tempo para se mostrar ao seu melhor nível. Ainda se encontra fechado, como que preso por umas pesadas algemas e a precisar de tempo para amaciar os potentes taninos que apresenta. Trata-se do Doda, antigamente conhecido como Dado, e que na altura em que foi lançado este quinto dado, colheita de 2005, ainda não era permitido aos vinhos de mesa apresentarem o ano de colheita. Este vinho, é considerado um Vinho de Mesa, a mais baixa classificação para os vinhos tranquilos em Portugal, por ser um vinho obtido com uvas de duas regiões, Douro e Dão, explicando assim o seu nome. Certo?

O tinto alentejano ficou na posição seguinte e não tenho a menor das dúvidas que seria considerado o melhor vinho tinto da prova se o painel de provadores não estivesse habitado a provar de tudo. Apresentou-se com belos aromas a fruta e chocolate, com taninos redondos e suaves, mas com uma boa e limpa acidez, que não incomoda ninguém e não deixa o vinho tornar-se enjoativo. O João considerou-o mesmo o melhor da noite. Será que o João e o Pedrito pensavam estar a votar nos vinhos deles e estavam a votar no do parceiro? Nãh!!!

Em terceiro apareceu aquele que para mim foi o melhor vinho da noite, o Château de La Gardine 1995, um branco absolutamente notável, de tal modo que eu pensava estar a beber o Grand Cru da Borgonha, pois não acreditava que este vinho com mais 4 anos ainda tivesse aquela cor. Vinho elaborado com as castas Bourboulenc, Clairette, Grenache Blanc, Grenache Grise e Picpoul, algumas delas pouco ou nada conhecidas por nós, apresentou-se com uma mineralidade e profundidade digna dos melhores vinhos franceses. Adorei!

O segundo lugar foi obtido por um orgulhoso Bairrada de 1995 e foi também considerado como o melhor vinho da noite por um comensal. Adivinhem lá quem foi? No entanto, mais cinco dos comensais consideraram, sem dúvidas de espécie nenhuma, que este foi o melhor tinto da noite. Bela evolução e está neste momento muito bem com a força da Baga já ligeiramente amansada, mas não o suficiente para estar amarfanhado. Notas de frutos do bosque com a terra e tudo e no final a apresentar café, tanto no aroma como na boca. Uma delícia e só podemos dar os parabéns ao autor deste vinho: Parabéns Mário Sérgio Nuno e obrigado por esta delícia. Há por aí outros vinhos com esta proveta idade?

Para último ficou o primeiro, não é o que se diz? De facto, mais uma vez um Porto Tawny venceu uma Ivy League, desta vez com apenas 4 (!) a considera-lo o melhor da noite. Mas que digo eu? Este vinho não é um Tawny, apesar de ter estado quarenta anos em barricas, nem é um Colheita, apesar de ser de 1963! Confusos? Eu também estaria, não fosse eu saber que apesar de este ser um vinho da Casa do Douro (é aqui que se faz Porto?) há também o IVDP e outros quejandos para complicar a coisa e eu não estou com vontade de deslindar a coisa. Pronto, este é um Vinho Generoso de 1963 do Douro e não é um Porto Tawny, mas olhem que engana bem… Eu gostei muito do vinho e só não o coloquei em primeiro lugar talvez por ainda ter na memória o Krohn de 1960 da jornada anterior. Ele está muito equilibrado e tudo muito certinho com aromas a folha de tabaco, café, fruta preta compotada e mais o que a imaginação possa alcançar, mas faltava-lhe aquela garra e profundidade que distingue um muito bom vinho de um vinho espectacular.

A próxima jornada está agendada para 5ª-feira, dia 9 de Fevereiro à hora do costume no sítio do costume e estão abertas as inscrições.

Dia de S. Valentim: AMOR EM 3 ATOS

Como não podia deixar de ser, também nós teremos um menu especial para o dia dos namorados, mas nós não temos preconceitos puritanos e assim, se quiserem vir 3 ou 4 ou os que vos apetecer, serão muito bem recebidos.
Quisemos no entanto manter algum suspense, que substitui aquela leve excitação dos primeiros encontros, utilizando para isso um menu codificado, ou se quisermos, romanceado. Damos apenas a indicação que será um menu de três pratos, com entrada, prato e sobremesa e cada prato será acompanhado por um vinho diferente, em itálico, no menu abaixo. O que temos feito merece ou não a vossa confiança?

ATO 1
Para ELA
Branco lençol de laranjas pintalgado numa folhada cama
Amarelo gasoso experimentado
Para ELE
Transparentes lascas da espada com verdes e vermelhos humedecidos por agradáveis ácidos
Fogoso branco com perfume de citrinos

ATO 2
Para ELA
Toda a maresia de um belo lombo na companhia de verdes que não são algas sob uma massa queimada de cereal e vegetal
Outro amarelo porém calmo e tranquilo
Para ELE
Riso de frutos perigosos bem tostados numa bochecha de espécime protegido
Preto esbatido com perfumes do bosque selvagem

ATO 3
Para ELA
Um branco treme-treme de laivos vermelhos pintado
Uma rosa líquida
Para ELE
A fruta proibida outra vez mordida e desta vez com companhia para o prazer aumentar
Finalmente para ele um amarelo aparentemente calmo mas vivaço como poucos

PREÇO P/ PESSOA: 25,00€

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Workshops de Vinhos e Cursos de Iniciação à Prova de Vinhos (Níveis I e II)

Pois não poderíamos começar o ano de outra forma que não seja à volta daquilo que mais gostamos, sacrilégio, de uma das coisas que mais gostamos: o vinho. Assim, creio que entenderão melhor esta nossa insistência em vos dar a conhecer este mundo maravilhoso e nada melhor que um curso de iniciação à prova de vinhos para começar a andar de uma forma equilibrada e o menos contagiado possível, de uma data de asneiras que se repetem tão insistentemente que quase se tornam verdades.
Vejam então se conseguem juntar-se a nós nas datas e cursos indicados abaixo com descrições sumárias de cada um a seguir:

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível I (80,00€)

Dias 27 Fev, 5 e 12 Mar 2012 no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 19h00.

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível II (100,00€)

Dias 25 Fev e 3 Mar 2012 no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Workshop: Os vinhos tranquilos do Douro (40,00€)

Dia 10 Mar no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Todos estes cursos serão realizados desde que estejam inscritos um número mínimo de pessoas.

Ivy League - O Dia XX - A Crónica



MENU

Mini Calzone de fígados de bacalhau fumado e escabeche de legumes

Brás de batata e cogumelos com filete de robalo

Risotto de ervilhas e milho com vitela arouquesa (DOP) na grelha

Crumble de maçã com mel e molho inglês

Eis os jogadores e respectivos seleccionadores da última jornada e desta vez, quase me atrevia a dizer que só o Rui merecia estar presente, tal a diferença de qualidade do seu vinho para os demais.

Solar de Merufe Grande Reserva Extra Seco 2003 – Hildérico Coutinho

Santenay Grande Maison Prosper Maufoux 2009 – Alexandre Braga

Quinta da Pellada Primus 2009 – Pedro Sousa

Bucellas & Collares 2007 – Isabel Braga

Coma Vella 2003 – Orlando Costa

Duas Quintas Reserva 2001 – Jorge Silva

Schloss Lieser Thomas Haag Riesling Spätlese 2008 – Miguel Braga

Krohn Colheita 1960 – Rui Freitas

Pois é, voltaram os Portos de altíssimo nível, ou melhor apenas e infelizmente só um e só uma garrafa, mas de uma qualidade absolutamente ímpar. Este era um daqueles Colheitas que explicam o fascínio que os amantes de tawnies têm por eles. Alerto, mais uma vez, a todos os que compram Colheitas, a terem o cuidado de ver a data de engarrafamento, pois isso faz toda a diferença. Este foi engarrafado em 2004, o que significa que estagiou 44 anos em barrica, tendo evoluído, muito mais lentamente em garrafa nos últimos 8 anos. Perceberão, certamente, que seria muito diferente se tivesse estagiado 8 anos em barricas e 44 em garrafa, algo que até pode acontecer e é até bastante comum com esta casa em particular. Poderíamos até estar na presença, igualmente, de um belíssimo vinho, agora não teria a doçura e corpo que este apresentou. Disso, estou quase certo, porque certezas aqui eu nunca tenho. Contudo e apesar, sou capaz de apostar que estaríamos na presença de um vinho com vinagrinho e muito mais delgado e com a acidez a ser bem mais agressiva. Não que este não tivesse uma acidez alta, porque tinha, mas ela estava envolvida em doçura que a acidez ajudava a prolongar e com isso aumentava o nosso prazer. Primeiro lugar por unanimidade e aclamação com o nosso obrigado ao campeão, Rui Freitas, de seu nome.

Continuando então desta vez pela ordem de preferência, segue-se o Primus, que se apresenta como sendo o melhor branco da Quinta da Pellada do Senhor Álvaro de Castro, um dos mais inovadores, inquietos e respeitados produtores do Dão. Este segundo lugar ficou a dever-se e muito, na minha opinião, à estranheza que provoca quando se mete à boca este vinho que no nariz promete coisas suaves e doces. Puro engano! É mineral até dizer já chega, de tal maneira que quase podemos dizer que é um pouco amargo e foi isso que eu, pessoalmente penalizei. De qualquer modo o painel está de parabéns, pois este vinho acabou de receber 94 pontos da Wine Advocat do ultra famoso Robert Parker.

Em terceiro ficou o Riesling, vindo de Mosel, aquela que se tem mostrado como a região mais apetecível para mim e a mostrar, mais uma vez, o quanto este grupo os aprecia.

No quarto lugar, o primeiro dos dois tintos servidos. Ganhou o espanhol para surpresa de alguns, pois apesar de vir de uma região famosa, o Priorato, tinha como adversário, um dos ícones do Douro, o Duas Quintas Reserva. Sem apelo nem agravo como verão.

Aparece em quinto lugar um vinho que foi, pareceu-me, penalizado pela sua juventude, já que eu fui dos poucos a dar-lhe uma boa pontuação e apenas porque esperei a sua evolução no copo e onde se foi mostrando cada vez mais interessante e redondo, isto mesmo com o aumento gradual da temperatura. Falo, se ainda não perceberam, do branco da Borgonha, o Santenay.

Na posição seguinte vem o vinho que eu quis dar a conhecer aos meus companheiros de tertúlias, como também a vós, que com pachorra me ides lendo. Trata-se de um espumante que conheci há pouco tempo e que foi elaborado da forma que eu ando, faz tempo, a pedir aos produtores para fazer. É ainda por cima, um dos melhores que já provei usando esta técnica, que é dispendiosa para os produtores, eu sei, mas cujos resultados podem ser absolutamente ímpares. Que técnica é essa? Simples, basta deixar o vinho na garrafa a evoluir em contacto com as leveduras por muitos anos em vez de apenas alguns meses como faz a maioria. Este esteve mais de oito anos e apresenta por isso os aromas melados habituais, mas apresenta também uns deliciosos aromas e sabores a damasco seco e mesmo, com alguma imaginação, ao pêssego/alperce seco. Melhor ainda, é ser elaborado com aquela casta que me tem encantado na região, o Loureiro e só foi pena ter perdido alguma força, e creio que isso não é obrigatório acontecer, mas ainda assim um belo espumante que consegue uma classificação honrosa neste painel. Memorizem e experimentem: Solar de Merufe Grande Reserva 2003.

Em sétimo aparece aquele que foi, para mim, o pior vinho da prova e alegadamente é um vinho especial elaborado com uvas provenientes de regiões distintas, apesar de vizinhas, e com duas castas distintas, o Arinto de Bucelas e a Malvasia de Colares. É teoricamente um vinho para beber daqui a muitos anos, pois ambos têm fama de evoluir bem ao longo dos anos. A minha percepção, que pode obviamente estar errada, é exactamente a oposta. Achei o vinho cansado, com os sabores metálicos que me desagradam nos brancos velhos.

Em último lugar ficou o vinho do Sr. JORGE SILVA, um vinho que teria algumas pretensões e que o seleccionador teria provado e aprovado muito recentemente. Lamentamos tê-lo desiludido…

A próxima jornada está agendada para 3ª-feira, dia 24 de Janeiro e estão abertas as inscrições.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Jantar Enogastronómico com Luís Pato

Caros amigos,

Era um desejo antigo que agora se vai tornar realidade, a vinda do Eng. Luís Pato para um jantar enogastronómico, com a vantagem extra de o fazer no meu restaurante. Sempre fui um fã de alguns dos vinhos Luís Pato e desta vez, fruto de uma visita à sua adega, tive a oportunidade de lhe dizer o que neste momento mais me fascina, os vinhos brancos e espumantes velhos e eis que ele me fez a vontade e nos vai permitir fazer durante o jantar duas mini-verticais, uma de brancos velhos e outra de tintos e isso explica, em parte, a escolha dos pratos escolhidos, pois para aguentarem três vinhos têm de ser substanciais. Esta possibilidade de poder experimentar o “mesmo” vinho em 3 colheitas sucessivas é sempre muito educativa e por vezes esclarecedora acerca da qualidade e estilo de vinho de um determinado produtor. A irreverência, a frontalidade e os vinhos do Luís Pato farão deste jantar um acontecimento imperdível e a comida será certamente o aliciante extra para que se inscreva imediatamente…

Welcome Drink

Espumante Luís Pato Baga 2003 + AM Rosé 2010

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Wrap de salmão fumado e molho de iogurte

Espumante Vinha Formal 2011

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Timbale de batata a murro, grelos, bacalhau e broa

Luís Pato Vinhas Velhas Branco 1995, 1996 e 1997

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Coxa de pato confitada com puré de moiro e grelos

Luís Pato Vinhas Velhas Tinto 2003, 2004 e 2005

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Panna cotta sakura com couli de frutos vermelhos

AM Tinto 2010 Magnum

Data: 26 Jan 2012 / 2 Fev 2012

Hora: 20h30

Preço: 30,00€

Inscrevam-se preferencialmente através do e-mail q.v.quovadis.2009@gmail.com

ou do tel. 22 404 90 27