sexta-feira, 27 de abril de 2012


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ivy League - O Dia XXV - A crónica & Um desabafo



Era prevista a presença da Ivone Ribeiro nesta jornada, que se justificava plenamente não só por todas as provas que já nos possibilitou, tanto na Vinho e Coisas como na Wine O’Clock, mas também por estar de saída e a abraçar um novo projeto, desta vez numa grande distribuidora nacional que me parece estar a tentar abordar o mercado de uma forma diferente. Assim espero pois se há algo que continua mal na restauração em Portugal é o serviço de vinhos. Aliás, esta situação é algo que mexe com o meu sistema nervoso sempre que penso no que é que as revistas da especialidade e os críticos de vinhos e de gastronomia têm feito para que essa situação se altere: QUASE NADA.
Alguns, os de vinhos, poderão dizer que não é da responsabilidade deles fazer o que quer que seja para alterar esse panorama. A mim parece-me profundamente errado que alguém que goste de vinho, como é suposto estes senhores gostarem, não o queira ver ser bem servido à temperatura correta e em copos adequados a cada estilo, atraindo assim mais pessoas para este mundo de que pensam não gostar por ser a maior parte das vezes mal servido e quanto mais não seja para poderem usufruir quando forem ao restaurante …
Outros, os de gastronomia, dizem que não é para isso que lá estão e eu não consigo entender isso, pois a avaliação de um restaurante tem de ser feita no seu todo e não apenas em algumas partes, eventualmente onde nos sintamos mais confortáveis, mas convém não esquecer que também em Portugal existem cada vez mais pessoas que se sentem defraudados se os restaurantes não tiverem copos adequados e cartas de vinhos minimamente elaboradas e já nem falo das temperaturas dos vinhos porque essa questão é por norma ultrapassável desde que se tenha algum tempinho.
Por último, os das revistas da especialidade, vão-me dizer que não é verdade, pois até têm promovido o vinho a copo e até avaliam os restaurantes em função do serviço de vinhos. Pois eu lamento dizer-vos que depois de dois anos e meio depois da inauguração ainda não fomos visitados por nenhuma revista do mundo dos vinhos e menos ainda por especialistas da área da gastronomia. Pior, já obtivemos dois prémios, um da Revista de Vinhos com uma menção honrosa nas cartas de vinhos com melhor relação qualidade/preço e outro no concurso de harmonizações com vinho do Porto, onde apesar da nossa inexperiência neste tipo de concursos, conseguimos na nossa primeira participação uma medalha de bronze. Ainda assim continuamos sem a visita de tão ilustres senhores. Mais, obtivemos 4,8 pontos em 5 possíveis na avaliação feita pelos senhores da ViniPortugal no serviço de vinhos a copo... Ainda assim, a Wine, que tem exatamente uma rúbrica nesta matéria, prefere dar destaque a restaurantes que recebem avaliações inferiores a 3. Pasme-se! São capazes de me vir dizer que assim eles vão emendar-se e eu pergunto não seria uma melhor política destacar os que têm melhores serviços de forma a que não apenas aquele que é exposto, mas sim todos os outros se esforcem para tentar aparecer? É que neste mundo da hotelaria, como em muitos outros, é por vezes melhor ser mal falado que ignorado! Também já ouvi dizer, com alguma perplexidade, que não visitam espaços antes de eles terem oito ou nove meses de idade, porque é a idade média em que fecham portas. Claro, não admira, com a ajuda que recebem… se há altura em que a ajuda é bem-vinda é no início, algo que aliás estes senhores não têm problema nenhum em fazer antes dessa idade se o restaurante for do Chefe Avilez ou do Chefe Sobral, mas como sempre, são sempre os mesmos a serem ajudados.
Desculpem, mas tinha de fazer este desabafo, agora que estou prestes a iniciar outro ciclo nesta minha recente vida como profissional de hotelaria, que terá de ser fora de Portugal e da qual falarei posteriormente. Para já apenas dizer que a nossa convidada foi substituída por outra que, para mim, merece ainda mais, a minha mulher Alexandra Amorim (Ivone eu tinha de dizer isto ou levava com o rolo da massa e com outros castigos bem mais penosos mas que não posso explicitar…) que vai ter a provação maior nos próximos tempos e a quem agradeço publicamente o apoio que me tem dado para ir em frente, apesar de lhe doer. Beijoca, fofa.
Significa isto, que pelo menos as duas próximas Ivy Leagues, serão comandadas e as crónicas escritas por outros. Luís Pedro Maia e Orlando Costa são os senhores que estão na calha!
Mas vamos então à crónica propriamente dita e comecemos por ver a lista de jogadores e respetivos selecionadores pela ordem de serviço:
Champagne André Clouet Silver Brut Nature - Jorge Tavares
Anselmo Mendes Alvarinho "Curtimenta" 2005 - Miguel Braga
Laroche Pouilly-Fuisse Bourgogne Blanc 2000 - Alexandra Amorim
Domaine William Fevre Chablis Grand Cru "Les Clos" 2005 - Alexandre Braga
Quinta dos Roques Encruzado 2008 - Luís Império
Trimbach Clos Ste Hune Alsace Riesling 2004 - Isabel Braga
Eitelsbacher Harthäuserhofberg Mosel-Saar-Ruwer Spätlese Riesling 2005 - Orlando Costa
Château Jolys Terrae Escencia Jurançon 2001 - Hildérico Coutinho
Como podem verificar foi mais uma enchente de vinhos brancos, mas desta vez por causa do menu, que como poderão ver, se adequa muito mais aos brancos:
MENU
Tempura de espargos
Risotto de sapateira
Almofada de frango em pasta de caril com arroz basmati e tártaro de tomate
Iogurte de caramelo com frutos vermelhos
O único falhanço nas harmonizações aconteceu na sobremesa, que também foi o prato menos conseguido, por não saber se o Château Jolys era doce ou seco e não querer provar antes do jantar. Foi um erro porque ele tinha apenas alguma doçura, exatamente aquela que era necessária para o prato de caril, o melhor da noite e com o qual teria combinado na perfeição.
Aquele erro apenas veio confirmar um pouco a tónica daquela que poderia ser a palavra que reflete, para mim este jantar: deceção!
Eu não queria ser nada injusto e o jantar até foi ótimo e os vinhos eram bons, mas a verdade é que eu esperava sempre um pouco mais de todos os vinhos que foram servidos, excluindo talvez o Qta dos Roques. Passo a explicar:
O vencedor da noite foi provavelmente o Riesling mais caro que alguma vez bebemos nestas jornadas. Este é o topo de gama da casa Trimbach, no que a Rieslings secos diz respeito. Produzido com uvas provenientes de uma pequena parcela na localidade de Hunawihr e sendo esta um dos produtores mais importantes da região, e tendo na memória alguns dos belos vinhos que já bebemos desta região e inclusive deste produtor era lícito esperar mais, pois não chega apresentar umas leves notas a gás de isqueiro, típicas da casta, mais uma notas florais e algumas frutas brancas a torna-lo mais agradável. Não, este vinho tinha de ter potência no ataque de boca inicial e de ter profundidade para que nela permanecesse por um bom bocado. A verdade é que era tudo bom, mas tudo demasiado soft e eu duvido que a idade lhe dê o que estou aqui a pedir. Apenas 4 o classificaram em 1º lugar, o Alexandre, o Miguel a Isabel e o Luís, sendo que o Jorge o colocou em 6º!
Em segundo lugar, a apenas um ponto de distância e reforçando o que disse antes, veio o outro Riesling, a mostrar o quão pouco gostamos dela… Este spätlese de um conceituado produtor da minha região preferida da Alemanha, Mosel-Saar-Ruwer, mostrou-se bem, mas mais uma vez, a minha memória lembra-se de coisas mais interessantes neste registo, apesar de conceder que a doçura que apresentava ligava muito bem com o picante do caril. Foi considerado como o melhor pela Alexandra, pelo Jorge e pelo Orlando. A pior nota veio da Isabel com um 4º lugar.
Em 3º lugar ficou o Grand Cru de Chablis, a região da Borgonha que menos me atrai pela extrema mineralidade dos seus vinhos, mas que mal se via neste vinho. Aliás, estava de tal modo escondida que este foi um dos vinhos que toda a gente errou pensando tratar-se do Alvarinho! Quem diria? Esta semelhança foi de tal ordem que me leva a perguntar, mas é este o estilo de vinho que é mais aclamado em Chablis? Um vinho muito menos mineral e tão controlado em todos os aspetos que nem parece um Chardonnay e muito menos um Chablis?  Bom, se assim for, a casta Alvarinho tem ainda mais potencial que aquele que eu pensava…
Em 4º lugar ficou aquele de que mais gostei, o Encruzado do Dão, elaborado por um dos melhores produtores da região e, apesar de apenas ter 4 anos, a mostrar uma conjugação extraordinária entre mineralidade, fruta e doçura, tendo sido porventura o que mais profundidade apresentou.
Em 5º lugar aparece outro Borgonha, mas desta vez de Pouilly-Fuisse e que creio não enganou ninguém quanto ao facto de ser um Chardonnay da Borgonha, pois apresentava as notas minerais e a madeira bem incorporada. Eu pensava que este é que seria o de Chablis pois este já tem 12 anos e apresentou uma cor apenas ligeiramente amarela.
O 6º lugar foi para o meu vinho, que veio dos Pirinéus, mais propriamente de Jurançon e que é mais um vinho fora do baralho, pois é elaborado com duas castas brancas,  Gros e Petit Manseng, a primeira é de origem basca e raramente é utilizada para a produção de vinhos doces e que aqui está com apenas 20% do lote, sendo a segunda muito mais apropriada à elaboração de colheitas tardias e cujo bago, como o nome indica, é mais pequeno. Os vinhos secos de Jurançon, diz a bibliografia, são muito fortes e difíceis onde as notas minerais da areia e do barro, que notámos no doce, serão aqui bem mais complicadas de apreciar. A doçura torna este vinho difícil em algo apelativo para os que gostam de coisas diferentes e não é por acaso que a casta Petit Manseng esteja a seguir as pisadas da Viognier e a ser plantada por produtores do novo mundo. Como curiosidade, será de referir que foi aqui que no século XIV foi introduzida pela primeira vez o conceito de CRU, elogiando e protegendo determinados locais como os melhores para a produção de vinho, mais tarde copiado para outras regiões de França e não só com o sucesso que se conhece.
No 7º posto ficou o champanhe com zero gramas de açúcar residual de que gosto por apresentar o que se espera de um bom champanhe de gama de entrada, com notas evidentes de levedura e alguns amanteigados. De realçar a evolução positiva que apresentou com o aumento da temperatura, mostrando um nariz muito mais sedutor a citrinos e flores brancas.
Em último lugar a maior deceção, por ser um vinho que é elaborado à moda antiga, com fermentação parcial com contacto pelicular e posterior estágio em barricas usadas sobre as borras totais durante nove meses. Tudo isto deveria ter dado ao vinho a possibilidade de viver e evoluir positivamente durante muitos anos. Pois bem a evolução foi tão dramática que apresenta uma cor que me fez pensar tratar-se do Borgonha de 2000 e não tenho grandes dúvidas em afirmar que se pegarmos em Alvarinhos normais de 2005, eles estarão melhor que este Anselmo Mendes. Como é óbvio, o problema não era a cor mas sim a muito pouca expressividade aromática fazendo com que o vinho se mostrasse quase plano e estava praticamente morto. Boa sorte para quem tiver ainda alguma destas garrafas, pois vai precisar…
Na questão dos acertos, ganhou o Jorginho com 4 tiros certeiros em 6 possíveis mostrando, tal como a Alexandra com 3, tantos quantos eu, que não é preciso vir muitas vezes aos treinos para ter bons resultados. Mas quem nos tira o prazer de treinar? Deixem-se disso!

domingo, 1 de abril de 2012

Ivy League - Dia XXIV - A crónica


Esta jornada teve, como anunciado, um convidado especial, Pedro Araújo da Quinta do Ameal, produtor de vinho branco na região dos Vinhos Verdes, nos mais variados estilos e todos da casta Loureiro. Este já é um projeto consolidado, com mais de uma década de vida e com elogio sistemático por parte da crítica que o considera amiúde como o melhor Loureiro da região. Pretendia ter tido a oportunidade de fazer uma pequena entrevista, mas a pressa de alguns e a confusão de ontem impossibilitou esse desiderato. Foi pena, mas fiquei com a sensação que toda a gente apreciou e em particular o nosso convidado, pelo menos antes da publicação desta crónica …

Vejamos então a lista de jogadores e respetivos selecionadores:

Loimer Käferberg Grüner Veltliner 2009 – Miguel Braga

Quinta do Ameal Loureiro 2010 – Jogador 1 do Pedro Araújo

Royal Palmeira Loureiro 2009 – Alexandre Braga

Colección Costeira Treixadura 2008 – Jogador 1 do André Antunes

Quinta das Bágeiras Bical 1994 Magnum – Luís Maia

Quinta do Ameal Escolha Loureiro 2009 – Jogador 2 do Pedro Araújo

Schloss Gobelsburg Heilingenstein Riesling 2009 – Hildérico Coutinho

Guru 2007 – Jogador 2 do André Antunes

Quinta do Ameal Loureiro 2003 – Jogador 3 do Pedro Araújo

Quinta de San Joanne 2000 – Orlando Costa

Marquês de Riscal Limousin 2008 – Luís Império

Além destes 11 jogadores brancos ainda houve dois vinhos extra concurso, que por serem tão diferentes optámos por nem sequer os classificar desta vez, um colheita tardia da Quinta do Ameal de Loureiro, evidentemente, e um tinto do Priorato, o Les Terrases 2009 do Alvaro Palacios, por causa de um menino mais sensível que, dizia ele, não iria conseguir aguentar tantos brancos sem que o estômago se queixasse. Receio infundado que, verdade seja dita, fez questão de admitir no dia seguinte assim como, apesar da formação de escanção, admitir que nada sabe disto. Pois seja muito bem-vindo amigo Sérgio Santos e junta-te aos que poderemos designar por minoria esclarecida, no sentido de sabermos que sabemos alguma coisa, mas sobretudo o sabermos que pouco sabemos sobre este imenso mundo do vinho e glória ao engenho humano que assim seja por o nosso prazer prolongar …

Se pensarmos no prazer que cada um dos vinhos individualmente proporcionou a cada um de nós, esta jornada poderia ser catalogada com aquela em que “concordo que discordo”, tal a diversidade de opiniões como irão já ver e foi também, por certo, aquela sessão que mais dificuldades nos criou na classificação dos vinhos tal o equilíbrio entre eles no que à qualidade diz respeito.

Foi bonito verificar que o Pedro detetou os seus vinhos, exceto o que estava adulterado e que ele tentou empurrar para a concorrência. Foi pena que o Ameal Escolha 2009 tivesse refermentado e apesar de eu não ter desgostado do vinho (dei-lhe o 6º lugar) ele acabou por ficar classificado em último lugar. Não deixou também de ser curioso ver que os dois Ameal “normais”, das colheitas 2003 e 2010, tivessem acabado em 6º lugar ex-áqueo e aqui já se podem ver as diferenças de gosto que nesta sessão estiveram patentes, pois para mim o melhor vinho da noite foi mesmo o Ameal 2010, que se apresentou como um Loureiro deve fazer, com expressividade aromática, com flores de sabugueiro e frutas brancas com uma acidez cristalina e muito agradável. Parabéns ao Pedro pela parte que me toca. Escusado seria dizer que o 2003 se encontra em bom plano, não apresentando por ora nenhum problema de oxidação negativa, como aliás já esperávamos.

A surpresa negativa da noite foi sem dúvida nenhuma o Guru 2007, que só não ficou em último pelo que aconteceu a esta garrafa do Ameal Escolha. Incrível a quantidade da madeira ainda presente num vinho com quase 5 anos, com a agravante de estar descasada da estrutura do vinho.

A surpresa pela positiva e que me surpreendeu totalmente quando ordenei os vinhos pela classificação foi o espanhol que o Império trouxe, que talvez por ter uma bela madeira, tão melhor que o Guru, nos levou a classifica-lo como o melhor vinho da noite, não sem que tenha havido vozes dissonantes, como por exemplo a do Alexandre que o classificou em último lugar! Este vinho, elaborado com 100% de Verdejo e que obteve uma medalha de ouro no Bacchus 2010, estagiou em barricas de carvalho Allier por 6 meses, sendo que 45% das barricas eram novas e as restantes de 2ª e 3ª ano. É notável que este vinho não se tenha apresentado completamente dominado pela madeira e certamente que o facto de as vinhas, plantadas em terras altas nas margens do douro, terem mais de 40 anos não será um factor despiciendo.

Por ter duas pessoas a elegerem-no como o vinho da noite, em 2º lugar e com a mesma pontuação do terceiro ficou o Bágeiras. É bonito ver um branco com dezoito anos com esta frescura e eu só não gostei muito dele por isso mesmo, demasiada frescura! Paradoxal? Nem tanto. O que lhe falta para me agradar são aquelas notas de evolução que lhe conferem doçura, nem que ela seja só por sugestão, mas este vinho tem ainda muita mineralidade e até parece que se está a lamber uma púcara de barro. Talvez daqui a dez ou vinte anos esteja como eu gosto.

O terceiro foi o Riesling, mas desta vez tenho quase a certeza de esta classificação só acontece pela especial predileção que este grupo tem pelos Rieslings, pois apesar de bom, este vinho austríaco, de um produtor que muito gosto, Schloss Gobelsburg, é demasiado soft, que o torna agradável sem dúvida, mas que o impede, na minha opinião, de ser um grande Riesling. Claro que o Alexandre não partilha de mesma opinião e classificou-o como o melhor da noite.

Em quarto lugar ficou o que eu pensava ser o Loureiro de 2003 do Ameal e afinal era um Loureiro sim, mas da concorrência, o Royal Palmeira, que eu não identifiquei por ter na memória um vinho bem mais vivo e expressivo do que o que mostrou. Essa suavidade e descrição foi, no entanto, muito apreciada pelo Miguel que lhe deu o primeiro lugar.

Em quinto ficou outro austríaco, desta vez da casta mais acarinhada neste país, a Grüner Veltliner. Conseguiu este resultado graças a quatro 2ºs lugares, mas ninguém o elegeu como o melhor da noite. Eu gostei do vinho e também fui um dos que o classificou em 2º lugar, mas esperava mais dele, pois o outro vinho deste produtor e que custa menos de metade está praticamente ao mesmo nível e daí as expectativas elevadas que depositava nele. As notas da pimenta branca estavam bem presentes e foi isso que permitiu que muitos de nós o identificássemos.

Em oitavo lugar ficou mais uma agradável surpresa, o San Joanne de 2000 e que o Orlando considerou como o melhor da noite. Suspeito, mas sem dúvida que se trata de um belo vinho e sem notas negativas de evolução. Este vinho da região dos vinhos verdes terá sido elaborado com Avesso, Alvarinho e Chardonnay e a justificação da longevidade está assim explicada e é também por isso que não pode ser considerado Vinho Verde e ter passado para a categoria seguinte, Regional Minho, mesmo estando já fora do Minho e nas fraldas do Douro. Coisas estranhas se passam naquela região vinícola…

Apesar do nono lugar e demonstrando o que disse no início acerca do equilíbrio ente quase todos os vinhos, também o Trajadura espanhol se mostrou em bom nível, porventura a demonstrar que também esta casta tem possibilidades de se mostrar a solo, mas isso terá de ficar para outras núpcias depois de provarmos uns quantos vinhos desta casta com igual ou superior qualidade.

Nos acertos coube-me a mim desta vez a vitória com 7 acertos, seguido por perto pelo Miguel, Alexandre, Orlando e Luís. Claramente o Sérgio tem de praticar mais e será sempre bem-vindo aqui a este grupo de hedonistas bem-dispostos. Para isso basta ser um dos que se inscrevem mal eu liberte essa possibilidade… e é agora!

Próxima jornada: Terça-feira, dia 3 de Abril para comemorar o nascimento do meu pai e de outro grande amigo, o Vitor Pinheiro. Terei pois de trazer vinho à altura da ocasião!

terça-feira, 27 de março de 2012

Jantar enogastronómico de despedida

Caros amigos,

Desculpem o aviso tão em cima da hora, mas de facto os afazeres são muitos e já vos devia ter avisado que o produtor não conseguiu ter os vinhos que prontos para a data prevista: 29 de Março. Assim sendo combinou-se uma nova data: 26 de Abril onde terão então a possibilidade de experimentar tudo o que de bom anda a fazer o José Miguel Vasques de Almeida por terras durienses e apreciar os sons do Fagote ou do Oboé. Podem desde já inscrever-se para esse jantar.

Não queria no entanto deixar defraudados todos os que já se encontram inscritos para depois de amanhã e até por poder ser o último jantar que vos apresento nos próximos tempos, resolvi continuar com o jantar previsto para juntar todos os meus amigos numa despedida sentida e por isso os vinhos serão escondidos até ao último momento. Dou apenas uma dica: será didáctico. Mereço esse crédito ou não?

Estou em crer que o Chefe também mereceria o vosso crédito, mas ainda assim aqui vai o menu:

ENTRADA

Pêssego em três texturas

PRIMEIRO PRATO

Tortilha de camarão com salada fria de feijão-branco

SEGUNDO PRATO

Coelho estufado em tosta de pão de lenha e milhos crocantes

SOBREMESA

Taça de fruta com gelado de framboesa e molho inglês, raspas de chocolate e hortelã

DATA: 29 MAR 2012

HORA: 20H30

PREÇO: 30,00€

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ivy League - Dia XXIII - A crónica

Começamos com esta Ivy League uma nova fase, fruto da maturidade que este modelo atingiu. Iremos agora, sempre que possível, convidar alguém que tenha a ver com o mundo dos vinhos ou da gastronomia, independentemente do grau de ligação a estes mundos, pois a única condição que impomos é a de sentir que é uma pessoa com um grau de paixão semelhante ao nosso por estas matérias. É assim que se justifica, além de ser um grande amigo, de ser um dos meus melhores clientes, de ter ajudado à sobrevivência deste projecto como ninguém e de alguns membros mais ativos da liga andarem cheios de saudade da lampreia, que o primeiro convidado neste novo modelo tenha sido o Vitor Pinheiro, gastrónomo apaixonado e enófilo principiante, que se mostrou à altura do desafio, apresentando duas belíssimas lampreias, à Bordalesa, mais clássica e em arroz com algum toque de inovação, pois mais parecia um risotto e que estava para o meu gosto, absolutamente deliciosa, quanto mais não seja pelo picante…

Apresentemos então os jogadores em prova pela ordem de serviço e como poderão verificar, os que escolheram vinhos para a lampreia fizeram-no de uma forma algo conservadora, eu e o André arriscamos um pouco e…

Murganheira Vintage 2004 (Pinot Noir) -- Alexandre Braga

Segura Viudas Brut Reserva Heredad -- Vitor Pinheiro

Ante AEQUINOCTIUM Veranum Grande Reserva 2010 -- Orlando Costa

Soalheiro Reserva Alvarinho 2008 -- Isabel Braga

Afros Vinhão 2009 -- Jogador 1 do Luís império

Vinha Paz Reserva 2009 -- Hildérico Coutinho

Poeira 2003 -- Jorge Silva

Xisto 2004 -- André Antunes

Qta do Vallado Sousão 2009 -- Jogador 2 do Luís império

Porto Colheita Branco Krohn 1964 -- Miguel Braga

Antes de responder à questão deixada subliminarmente falemos dos espumantes e dos brancos que serviram para acompanhar uns acepipes e a entrada propriamente dita. Desta vez foi possível servir todos (ou quase, pois o Porto era filho único) os vinhos em prova cega pois existiam sempre pelo menos dois vinhos passíveis de ser confundidos, algo que aliás eu comecei por exemplificar muito bem, falhando a identificação dos quatro primeiros vinhos, ou seja, falhei onde parecia ser mais fácil. O que me valeu, para não sair dali completamente descredibilizado (já consigo ouvir algumas vozes, como se do além viessem, mas quem é que lhe disse que ele tem alguma credibilidade?!), foi ter acertado os cinco tintos e assim apenas o Luís e o Jorge conseguiram melhor com 7 tiros certos. Suspeito que o Jorge poderia ter conseguido o pleno não fosse… O vinho! Só assim se explica as gatafunhas que escreve e me impedem, quase sempre, de utilizar as suas notas na contabilidade final. O Orlando também poderia ter conseguido o pleno, mas ao deixar-se ficar para trás, para escrever o nome dos vinhos foi desclassificado. Aqui a justiça é na hora e mai nada!

Ambos os espumantes se apresentaram em bom plano, algo que aliás não surpreende por se tratar de topos de gama de casas que produzem milhões de garrafas. No cômputo geral foram no entanto relegados para o 7º e 8º lugar, com ligeira vantagem para o cava, que eu confundi por achar mais fresco e com uma acidez mais vibrante, outros acharam o contrário e acertaram, por isso, o que posso dizer é que de facto apreciei mais o cava.

Dos brancos em confronto, toda a gente preferiu o Soalheiro (3º) ao bairradino com pretensões (9º) e eu confundi-os, não porque esperasse que este fosse melhor, mas por achar ter reconhecido o Soalheiro, quando bebi o primeiro branco. Tinha bebido o Soalheiro 2010 no dia anterior e parecia-me claramente a mesma linha. Devia ter dado mais importância à questão da acidez e mineralidade do Soalheiro, mas a verdade é que pensando bem, um vinho branco da Bairrada, feito de Bical, Arinto e Chardonnay bem podia ter essas características mais intensas. Não acham?

O primeiro vinho a ser servido e que não enganou ninguém, foi o vinho da casta que se costuma aconselhar para acompanhar a lampreia, Vinhão ou Sousão no Douro, de um produtor que tem sido aclamado lá fora primeiro, Jancis Robinson, depois cá dentro, pelas diversas revistas da especialidade. As classificações que lhe atribuímos não deixam muita margem para discussões, ficou em 10º e último lugar. Apresenta acidez e taninos a mais para a lampreia foi a opinião generalizada e nem o Luís que se mostrou um apaixonado da casta lhe deu melhor que um 5º lugar. O 3º lugar que o Alexandre lhe deu não conta, pois ele devia estar num dia zen e deu quatro primeiros lugares e três segundos lugares! Alguns poderão estar a pensar que a lampreia não estaria de acordo com os cânones habituais. Não caiam nessa, pois tínhamos uma comensal (escusado referi-la), especialista na matéria e devoradora da espécie há já várias décadas! Quem diria, de tão jovem se apresenta! E que garantiu não comer uma assim faz tempo!

O outro vinho da casta, oriundo do Douro, foi o último tinto a ser servido e acompanhou por isso o arroz. As avaliações positivas da crítica foram neste caso confirmadas pelo Alexandre que o considerou como o melhor dos tintos, muito pela ligação com o prato que achou perfeita e pelo Luís que o elegeu como vinho da noite! Em termos gerais ficou em 6º lugar, achando eu que um pouco mais de tempo em madeira, não lhe faria mal nenhum. O estilo da casta é inconfundível suavizado pelo calor do Douro.

Dos restantes tintos, aquele que estava a arriscar mais era sem duvida o André, pois o Xisto é um vinho do Douro, mas 2004 foi um ano quente e o estilo não é propriamente o da elegância. De facto o vinho mostrou-se, na minha opinião, um pouco cansado, ou seja, com falta de frescura e exuberância, mas ainda assim foi muito apreciado pelo André e pelo Orlando com este a considerá-lo mesmo como o melhor tinto, dando-lhe o terceiro lugar geral.

O Jorge ao trazer o Poeira arriscou pouco, mesmo tendo sido 2003 um dos anos mais quentes da década, por ter origem em vinhas voltadas a norte e apresentar por isso sempre uma acidez acima do normal. Não se deu mal, conseguiu o 4º lugar geral, que foi a classificação que 5 dos 7 votantes lhe deu, pois além do inelegível Jorge, também o Vitor resolveu ter um ataque de timidez e recusou-se a votar. O vinho apresenta de fato aquela acidez típica que me permitiu reconhecê-lo, com taninos ainda muito sólidos e pronto para andar mais meia dúzia de anos sem problemas.

Eu arrisquei muito mais, em primeiro lugar por não conhecer esta colheita e em segundo por apostar num vinho que eu sabia ser mais suave e de taninos mais redondos, mesmo esperando por uma acidez suficientemente forte para que o vinho se apresentasse fresco. Acertei! O vinho tinha tudo isso e melhor, ligou lindamente com a lampreia, pois a acidez foi suficiente para aguentar a acidez do vinho utilizado na sua confeção e para limpar o palato da gordura da bicha. A doçura ajudou e permitiu que as notas de cacau aparecessem num equilíbrio notável. Pode ser que por ter vindo depois do Afros este Vinha Paz me tenha sabido tão bem, mas a verdade é que na altura me pareceu um necessário e salutar docinho. Segundo lugar geral e só o Orlando, um filho do Dão, o castigou com um quinto lugar. Como é aquela, santos da casa?

Creio que no entanto que fica aqui demonstrado que aquela teoria de que a melhor companhia para a lampreia é o vinho verde tinto não passa disso mesmo, uma teoria…

Para o fim e para terminar em beleza veio mais um Porto vencedor, como sempre deveria ser, com um Colheita Branco de 64 a mostrar o que andam a perder as maiores casa de Vinho do Porto ao não procurarem estas relíquias, já que de acervo próprio não devem ter muita coisa. Já bebemos melhor da casa Dalva, mas a Krohn, que não sabe fazer maus tawnies mostra aqui com este branco velho, engarrafado em 2010, que essa tendência se mantém intacta! O aspecto, porventura mais educativo desta prova, é o de verificar que se fosse tinto e tivesse 46 anos de casco, o mais provável era estar já muito doce, provavelmente com um vinagrinho bem evidente e com alguma falta de frescura. Não seria necessário dizê-lo, mas este não tinha nada disso e ainda pede mais tempo de barrica. Notável!

Acabo esta crónica fazendo dizendo que a próxima jornada será na quarta-feira, dia 21 de Março, tendo desta vez por convidado o Pedro Araújo da Quinta do Ameal e teremos por isso uma sessão dedicada aos brancos onde estarão misturados alguns dos vinhos deste aclamado produtor.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Cursos de Iniciação à Prova de Vinhos e mais Workshops

Já estava em tempo de vos apresentar novas datas para os cursos que nos fazem agradecer a nossa existência, pelo prazer que proporcionam e mais ainda pelos prazeres vindouros. Existem várias possibilidades para todos os gostos, carteiras e necessidades.

Vejam então se conseguem juntar-se a nós nas datas e cursos indicados abaixo:

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível I (80,00€)

Dias 16, 23 e 30 Abr 2012 no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 19h00.

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível II (100,00€)

Dias 26 Mar, 2 e 9 Abr 2012 no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 19h00.

Workshop: Vinho do Porto (40,00€)

Dia 31 Mar no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Workshop: Os vinhos tranquilos do Douro (40,00€)

Dia 21 Abr no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Workshop: Brincadeiras com vinhos (40,00€)

Dia 7 Abr no Quo Vadis? em Matosinhos a partir das 10h00.

Todos estes cursos serão realizados desde que estejam inscritos um número mínimo de pessoas.

A descrição, para quem estiver interessado, de cada um dos cursos segue abaixo:

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível I

1ª Sessão

· O vinho – teoria – os estilos e o processo de vinificação

· Conhecimentos básicos de enologia

· O sistema de prova

2ª Sessão

· Os vinhos brancos e as castas mais apreciadas internacionalmente com destaque para a Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Viognier, Pinot Grigio, Gewürztraminer, Grüner Veltliner, Torrontés e Alvarinho.

3ª Sessão

· Os vinhos tintos e as castas tintas mais conceituadas e valorizadas internacionalmente a começar na Cabernet Sauvignon e Merlot, continuando pela apaixonante Syrah, a difícil Pinot Noir, as peculiares Sangiovese e Malbec, terminando nas nossas mais familiares Tempranillo e Touriga Nacional.

Iniciação à Prova de Vinhos - Nível II

Parafraseando um amigo que utiliza como lema a frase “o que a gente leva desta vida é a vida que a gente leva …” e que, se fomos competentes o suficiente, os alunos do nível 1 terão apreendido, não podia deixar de vos incentivar a participar neste curso que vos ajudará a perceber melhor os vinhos e as regiões mais conhecidas e admiradas a nível mundial.

· 1ª Sessão

    • As condições ideais para o armazenamento do vinho
    • O serviço de vinhos
    • As temperaturas de serviço
    • Os utensílios e os copos
    • França e algumas das suas regiões mais famosas
      • Bordéus
      • Borgonha
      • Vale do Ródano
      • Alsácia
  • 2ª Sessão
    • Alemanha
    • Áustria
    • Itália com destaque para as regiões do Piemonte e Toscânia.
    • Espanha com destaque para Rioja e Ribera del Duero.
    • Portugal com destaque para Douro e Alentejo.
    • Estados Unidos da América com destaque para a Califórnia.
  • 3ª Sessão
    • Nova Zelândia
    • Austrália
    • Argentina
    • Chile
    • África do Sul
    • A Harmonização ou Maridagens entre o vinho e a comida

Workshop: Vinho do Porto (40,00€)

Em Portugal toda a gente pensa conhecer bem o Vinho do Porto. Pensa, mas está, usualmente, errado. Para se conhecer a história e os diversos estilos que existem deste delicioso vinho é preciso fazer algum investimento, não só monetário como de estudo. É isso que pretendemos abreviar com este curso e dar a conhecer aos portugueses um dos melhores vinhos que eu conheço.

Workshop: Os vinhos tranquilos do Douro (40,00€)

Falaremos da história da região por inerência, mas a história destes vinhos que começam a dar que falar um pouco por todo o mendo é bem mais curta, tem apenas duas décadas de vida, mas tem tanto a seu favor que um crítico norte americano escreveu no New York Times que chega a quase a ser ridículo. Descubra porquê!

Workshop: Brincadeiras com vinhos (40,00€)

Quem já não apreciou algumas brincadeiras com os nossos sentidos e com o vinho? Será que conseguem sempre descobrir se estão a beber um vinho branco ou um tinto? Será que os olhos nunca enganam?

Venham ver e participar nestas brincadeiras que servem para não levar tão a sério este mundo e para nos rirmos um bocado.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ivy League Especial

Podem não acreditar, mas comecei a escrever esta crónica não tinham passado sequer 24 horas após a realização desta jornada da Ivy League. Uma avaria no computador acabou por repor os tempos habituais de reacção e desta vez com a agravante de ter também perdido as notas que cada seleccionador deu aos vinhos. Restaram as notas de um jogador, as do Orlando. As notas dos restantes convivas (5 no total) que fui recuperando valem o que valem, incluindo as minhas que estando quase certas poderão ter tido uma ou outra troca.

Os mais atentos e que são usualmente convidados para estas jornadas deverão estar a perguntar-se, mas quando é que ele enviou a convocatória? Não enviei. Essa é a resposta e o motivo é simples e quero expô-lo, pois estou convicto que o compreenderão e que fariam o mesmo se estivessem no meu lugar. A mini-vertical de Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa foi finalmente concertada e agendada. Assim sendo, para que ela se realizasse era preciso que os proprietários das ditas estivessem presentes e restariam poucos lugares para os remanescentes. Não me pareceu justo que esses lugares fossem preenchidos pelos que fossem mais rápidos a responder ao desafio, que se soubessem ao que vinham seriam rapidamente preenchidos e sim que fossem ocupados por aqueles que mais têm ajudado a que este projecto (e incluo neste projecto a própria sobrevivência do Quo Vadis?) vá sobrevivendo às sucessivas vagas de pessimismo que minam a nossa sociedade. Infelizmente nem todos os que mereciam ser convidados o puderam ser, pois apesar de ter sido quebrada a regra de ouro de só termos 8 participantes em cada jornada, ela não poderia ser quebrada de uma forma grosseira ou acabaríamos por não ter vinho suficiente para o podermos apreciar como ele merece. Felizmente alguns não puderam ou quiseram vir e ficámos assim 9 participantes, que é um número igualmente atractivo para estes encontros. Número esse que será no futuro várias vezes por motivos diversos e que serão expostos na devida ocasião.

Segue-se então a lista dos jogadores e respectivos seleccionadores:

Mailly L'Air Grand Cru Millésime 2005 – Luís Pereira

Bollinger Special Cuvée – Orlando Costa

Blin's Edition Limitée Brut Rosé – Jorge Silva

Dr. von Bassermann-Jordan Forster Jesuitengarten Riesling trocken 2005 – Jogador 1 do Alexandre Braga

Condessa de Santar 2010 – Isabel Braga

Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005 – Jogador 1 do André Antunes

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005 – Miguel Braga

Quinta do Crasto Vinha da Ponte 2007 – Jogador 2 do André Antunes

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2007 – Pedro Sousa

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2006 – Hildérico Coutinho

Domaine des Schistes La Cerisaie 2007 - Jogador 2 do Alexandre Braga

Uma vez que iriam estar presentes muitos tintos pedi aos restantes que trouxessem champanhe, vinhos brancos ou de sobremesa. Foi o que fizeram, mas apenas os brancos se mostraram à altura dos grandiosos tintos que estavam em prova.

Resolvemos servir os tintos em prova cega, mesmo sabendo que existiam dois intrusos à mini-vertical, mas felizmente ambos do mesmo produtor e igualmente bons, o Touriga Nacional de 2005 e o Vinha da Ponte de 2007. São sempre engraçadas estas provas, quanto mais não seja para demonstrar o que o Alexandre no final resumiu de uma forma notável: “Quanto mais bebemos menos sabemos…”. Se não é uma verdade absoluta, anda lá perto, mas que lida pelo ângulo certo nos traz a certeza de que felizmente muito temos de aprender e por isso muito teremos de ler e por incrível que pareça, melhor ainda, de beber…

A ideia inicial era a de termos só Teresas na mesa, no que a tintos diz respeito, mas a recusa por parte dos dirigentes da Quinta em nos ceder Teresas de outros anos além dos que tínhamos inviabilizou tal desiderato e tivemos assim de respeitar a génese portuguesa e improvisar…

Dos três champanhes o único que para mim mereceu alguma atenção foi o Bollinger (6º lugar) que se distinguiu e foi facilmente reconhecido pelas notas de fermento e amanteigados que apresentava, isto apesar de também os champanhes terem sido servidos em prova cega. Não vamos no entanto contabiliza-los nos acertos porque um era rosé e os outros acabaram por se mostrar demasiado fáceis. Uma nota ao rosé tem de ser dada, pois era tão fora do comum, tão fora, tão fora, que não valia nada (11º lugar e último). Fiquei admirado, pois acho que os brancos desta casa têm uma bela relação qualidade/preço. Este é para esquecer, não é assim Jorge?

Os brancos estavam ambos em bom nível, mas eram tão diferentes que dispensámos a prova cega. O Condessa de Santar, que não apresentei como branco porque seria quase como que um eufemismo, mostra claramente a qualidade a que os vinhos brancos do Dão podem aspirar. Elaborado com cerceal, encruzado e arinto, três castas que muito aprecio, a solo ou acompanhadas, com estágio em madeira de muito bom nível e com presença suficientemente audível mas sem ser barulhenta de mais, com uma mineralidade óbvia e agradável, fruta e flores presentes mas a necessitar de mais atenção para serem devidamente apreciadas. Ficou em 8º lugar, muito próximo do outro branco e do melhor dos champanhes e apenas porque os tintos eram de facto de primeira grandeza. Eu classifiquei-o em 7º lugar logo a seguir ao outro branco, um belíssimo Riesling de Pfalz que ficou classificado ex-aequo com o Bollinger. Já por cá passou a colheita de 2004 deste produtor e está bem mais duro e jovem que este 2005.

Um aparte por estar a escrever numa esplanada do cais de Gaia e estar atrás de mim um senhor dos seus 70 anos que insiste em dançar com a sua mulher uma valsa que ele vai cantarolando com alguma resistência por parte dela, mas que a mim me parece uma bonita imagem…

E vamos então aos tintos que motivaram esta Ivy League especial e que não desiludiram, porventura por terem sido bem tratados com decantações adequadas e temperaturas correctas de serviço. Não desiludiram mas surpreenderam em vários itens. Eu defino-me habitualmente como apreciador de Teresas quando comparados com os da Ponte, mas com a nota que lhe atribuí desta vez vou ter de provar mais Pontes para confirmar ou refutar o que esta prova insinuou (está alguém da Qta do Crasto a ler?). É que eu classifiquei o Ponte em 3º lugar e à frente de dois Teresas, incluindo o do mesmo ano, que é por sinal considerado pela casa como o melhor de todos. Este painel não concordou e deu o primeiro lugar, com pelo menos 4 dos 9 provadores a considerá-lo como o melhor, ao Maria Teresa de 2005. Eu pessoalmente gostei muito também do Touriga Nacional, que estava um autêntico doce líquido, mas que os restantes penalizaram e acabou por ficar em último lugar dos tintos. De notar no entanto que ninguém se atravessou dizendo sem margem para dúvidas que aquele era o Touriga, algo que seria até expectável. O Teresa 2005 soube-me como que um upgrade do TN 2005, pois apresentava o mesmo equilíbrio mas acrescentava complexidade, potência e profundidade. Formidável.

Apesar de ninguém o ter considerado como o melhor vinho da noite, o Ponte acabou por ficar com o segundo lugar por ninguém não ter gostado dele e ficou ou em 2º ou em 3º nas preferências de toda a gente.

O Maria Teresa 2007 foi considerado como o melhor pelo Pedro e pelo André, mas foi muito penalizado pelo 6º lugar geral que o Orlando lhe atribuiu.

O Orlando considerou como melhor o MT de 2006, exactamente aquele que eu considerei como o mais desequilibrado, com a acidez a tornar-se demasiado impositiva. Não deixa de ser estranho, pois eu tinha bebido este vinho há uns 3 meses atrás e tinha-o achado perfeito. O Miguel também gostou dele e deu-lhe o 2º lugar geral.

Para acabar esta crónica falemos do vinho doce que esteve em prova, usualmente considerados como os melhores, mas que este não conseguiu igualar. Trata-se de um vinho tinto doce de Roussillon, nos Pirenéus franceses, bem juntinho a Espanha e elaborado com a casta francesa que tão bem se adaptou a Espanha, a Garnacha ou Grenache Noir, nascida nos terrenos do Ródano. Este vinho tem no entanto 17% de álcool e é por isso bem diferente dos bons vinhos tintos doces que já bebi de Espanha e que esperava ver aqui mais ou menos replicado. Não é nada disso e infelizmente a evolução é negativa e o vinho é de facto bem mais desinteressante. Ficou em 9º lugar e arrisco mesmo a dizer que para fazer isto o melhor é deixarem-se disso e beberem LBV.

Estamos a minutos de começar a Ivy League XXIII e por isso tenho de acabar com isto. Beijinhos e até breve,

Hildérico Coutinho